segunda-feira, julho 26, 2010

O Escritor Fantasma, de Roman Polanski ****



Há uma espécie de sub-gênero no cinema contemporâneos representada por aqueles thrillers de suspense que têm como base temática para as suas tramas um teor político envolvendo conspirações e demais jogos sujos de determinados órgãos do governo ou de grandes conspirações. Nesse contexto, há sempre o protagonista que resolve enfrentar os poderosos e desmascarar os podres dos mesmos. Os roteiros dessas produções, geralmente, vinculam-se a fatos reais da conjuntura mundial, o que lhes dá uma aura de seriedade. No final das contas, entretanto, esse modus operandi de usar matérias de relevância para a sociedade não implica em ousadias no plano formal, o que faz com que boa parte de tais filmes sejam apenas obras de suspense que transitam entre o medíocre e competente.

Dentro do panorama acima descrito, a obra mais recente de Roman Polanski, “O Escritor Fantasma” (2010), traz uma trama que não foge muito do que foi exposto. O grande trunfo da produção está muito mais na engenhosidade dos truques narrativos e estéticos que Polanski se utiliza para adornar um roteiro repleto de clichês. A atmosfera do filme é fria, distante e irônica, transformando o seu argumento em farsa. A fotografia sóbria e a montagem elegante ajudam a compor um todo sedutor e mesmo surpreendente. Polanski coroa a grandeza do filme emulando uma ambiência quase gótica em algumas seqüências, lembrando o melhor do cinema de Hitchcock.

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