Definitivamente, existem coisas que é melhor que fiquem no passado... Lembro-me nos meus tempos de criança que eu achava um barato assistir todos os dias ao seriado do Batman, aquele que tinha o Adam West no papel-título. Eu conseguia ficar realmente impressionado com os planos diabólicos do Coringa ou do Pingüim, aguardava com ansiedade o capítulo seguinte quando eu finalmente ficaria sabendo se o Batman e o Robin conseguiram escapar da terrível armadilha que algum dos seus inimigos havia preparado. O problema do seriado, entretanto, é que o mesmo não envelheceu muito bem... Hoje, com um olhar mais experiente, já se percebe que o forte daqueles velhos episódios era a tiração de sarro com a própria figura do homem morcego, o que ficava evidente nas tramas esdrúxulas e no figurino psicodélico-brega. Não que eu não tenha bom humor, mas é aquela coisa: tem piada que não tem a mesma graça quando se ouve mais de uma vez... Isso fica mais evidente assistindo a “Batman – O Homem Morcego”, longa-metragem derivado da série que foi lançado nos cinemas em 1966. O filme pode até ser curtível como um exercício de nostalgia, mas fora disso é quase penoso ter de assistir ao mesmo. Produção tosca, direção qualquer nota, atores canastrões ao extremo, aquelas mesmas tiradas cômicas, enfim, uma legítima tranqueira. Não chega aos picos de ruindade de um Ed Wood, mas passa perto. E para quem acha que “Batman Eternamente” e “Batman e Robin”, ambas produções risíveis de Joel Schumacher, são os pontos mais baixos da carreira cinematográfica do velho homem morcego, é necessário assistir a esse “Batman – O Homem Morcego” para rever os seus conceitos.
Boa parte de amigos e conhecidos costuma dizer que as minhas recomendações para filmes funcionam ao contrário: quando eu digo que o filme é bom é porque na realidade ele é uma bomba, e vice-versa. Aí a explicação para o nome do blog... A minha intenção nesse espaço é falar sobre qualquer tipo de filme: bons e ruins, novos ou antigos, blockbusters ou obscuridades. Cotações: 0 a 4 estrelas.
quarta-feira, julho 11, 2007
As Mãos, de Alejandro Doria ***
Apesar de formalmente ser meio comum demais, a produção ítalo-argentina “As Mãos” é um obra que tem os seus momentos de encanto. A história de um padre que tem o poder de cura através da suas mãos e acaba entrando em conflito com a própria Igreja devido ao seu dom tinha tudo para cair no excessivamente melodramático, e algumas poucas seqüências acaba descambando um pouco para isso mesmo. Mas o que predomina durante o filme, entretanto, é uma abordagem mais sutil e equilibrada sobre a questão da fé e as hipocrisias do Vaticano. Além disso, o diretor Alejandro Doria consegue obter alguns ótimos momentos de bom humor e ironia, fazendo com que a narrativa não fique tão pesada pela aridez do tema.
Orgulho e Preconceito, de Joe Wright ****
Pelo menos nos últimos vinte anos, filmes de época representam um gênero complicado. Na grande maioria das oportunidades caem em uma espécie de regra geral: são produções bem cuidadas, com direção de arte e fotografia competentes, mas que não apresentam maiores ousadias formais. E quando são adaptações de obras literárias, a coisa fica ainda mais previsível: há a uma preocupação muito maior em “contar uma história” do que em explorar uma linguagem cinematográfica. Ou seja, transforma-se o cinema em mero suporte visual para a trama. Desde a morte de Luchino Visconti, grande gênio criativo dessa linhagem de filme (vide obras primas como “A Sedução da Carne”, “O Leopardo” e “Ludwig”), o gênero entrou em uma espécie de estagnação, com algumas poucas e honrosas exceções (como o magnífico “A Era da Inocência”, de Martin Scorsese), apesar de ainda continuar com um bom nicho de admiradores (as respeitáveis senhoras freqüentadoras do Guion, por exemplo).
Diante de um quadro como o acima descrito, não há como não se entusiasmar com essa verdadeira perola que é “Orgulho e Preconceito”, versão cinematográfica mais recente para a obra literária clássica de Jane Austen. A tomada de abertura já nos dá a idéia do que vem pela frente: num plano-seqüência de arrepiar, a câmera passeia pela casa dos Bennetts focando várias ações simultâneas e apresentando com precisão o que representa cada membro da família. A noção de ação cinematográfica do diretor Joe Wright é impressionante nessa seqüência e dá a tônica por todo o filme. Apesar de adaptado de um livro, “Orgulho e Preconceito” tem uma narrativa fortemente anti-literária: os movimentos de câmera e ágil edição são tão predominantes que fazem com que as imagens é que sejam os reais fios condutores do que estamos assistindo. O trabalho de edição e fotografia do filme é dinâmico e fluído a tal ponto que em alguns momentos chegamos a esquecer que estamos assistindo a uma adaptação de um livro. Isso não quer dizer, entretanto, que Wright não preservou a essência do ótimo texto de Jane Austen. Muito pelo contrário. A concepção moderna e ágil do seu estilo de filmar realça ainda mais a qualidade da narrativa de Austen, mostrando como a mesma não envelheceu em nada. Ironia e drama se combinam de forma espantosa por todo o filme, valorizado ainda mais pelos brilhantes diálogos e pelo ótimo elenco, com destaque para a interpretação serena e astuta de Donald Sutherland, a pura tensão histriônica de Brenda Blethyn e a vivacidade de Keira Knightley.
Uma boa forma para se ter idéia do que representa essa nova versão cinematográfica para “Orgulho e Preconceito” é compará-la com outras adaptações recentes de obras de Jane Austen para o cinema. Produções como “Razão e Sensibilidade” e “Persuasão”, ambas de 1995, são bons filmes e também são fiéis aos livros de origem, mas ao mesmo tempo apresentam um certo apego à narrativa literária. O filme de Joe Wright manda para o espaço a literatura e aposta exclusivamente no cinema. O resultado é um dos grandes picos criativos cinematográficos dos últimos anos.
Diante de um quadro como o acima descrito, não há como não se entusiasmar com essa verdadeira perola que é “Orgulho e Preconceito”, versão cinematográfica mais recente para a obra literária clássica de Jane Austen. A tomada de abertura já nos dá a idéia do que vem pela frente: num plano-seqüência de arrepiar, a câmera passeia pela casa dos Bennetts focando várias ações simultâneas e apresentando com precisão o que representa cada membro da família. A noção de ação cinematográfica do diretor Joe Wright é impressionante nessa seqüência e dá a tônica por todo o filme. Apesar de adaptado de um livro, “Orgulho e Preconceito” tem uma narrativa fortemente anti-literária: os movimentos de câmera e ágil edição são tão predominantes que fazem com que as imagens é que sejam os reais fios condutores do que estamos assistindo. O trabalho de edição e fotografia do filme é dinâmico e fluído a tal ponto que em alguns momentos chegamos a esquecer que estamos assistindo a uma adaptação de um livro. Isso não quer dizer, entretanto, que Wright não preservou a essência do ótimo texto de Jane Austen. Muito pelo contrário. A concepção moderna e ágil do seu estilo de filmar realça ainda mais a qualidade da narrativa de Austen, mostrando como a mesma não envelheceu em nada. Ironia e drama se combinam de forma espantosa por todo o filme, valorizado ainda mais pelos brilhantes diálogos e pelo ótimo elenco, com destaque para a interpretação serena e astuta de Donald Sutherland, a pura tensão histriônica de Brenda Blethyn e a vivacidade de Keira Knightley.
Uma boa forma para se ter idéia do que representa essa nova versão cinematográfica para “Orgulho e Preconceito” é compará-la com outras adaptações recentes de obras de Jane Austen para o cinema. Produções como “Razão e Sensibilidade” e “Persuasão”, ambas de 1995, são bons filmes e também são fiéis aos livros de origem, mas ao mesmo tempo apresentam um certo apego à narrativa literária. O filme de Joe Wright manda para o espaço a literatura e aposta exclusivamente no cinema. O resultado é um dos grandes picos criativos cinematográficos dos últimos anos.
Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 estrelas)

Copacabana Mon Amour,de Rogério Sganzerla ****
O Despertar de Uma Paixão, de John Curran ***
Batismo de Sangue, de Helvecio Ratton ***
Ratatouille, de Brad Bird ****
Paris, Te Amo, de Walter Salles, Irmãos Coen e outros diretores ***
Danger: Diabolik, de Mario Bava ****
Hot Fuzz, de Edgar Wright ****
Eu Sou Uma Ciborgue, Mas Tudo Bem, de Chan-Wook Park ***1/2
O Despertar de Uma Paixão, de John Curran ***
Batismo de Sangue, de Helvecio Ratton ***
Ratatouille, de Brad Bird ****
Paris, Te Amo, de Walter Salles, Irmãos Coen e outros diretores ***
Danger: Diabolik, de Mario Bava ****
Hot Fuzz, de Edgar Wright ****
Eu Sou Uma Ciborgue, Mas Tudo Bem, de Chan-Wook Park ***1/2
sexta-feira, julho 06, 2007
A Leste de Bucareste, de Corneliu Porumboiu ***

Apesar de ser uma produção bem modesta e da sua primeira metade ser meio chatinha, “A Leste de Bucareste” merece uma conferida. O primeiro motivo seria a curiosidade, afinal não é todo o dia que aparece nas telas brasileiras uma produção romena. O outro motivo é que depois da aludida monotonia do início o filme ganha um fôlego renovado, quando a ação passa a se desenvolver num programa de televisão. Nesse momento, o diretor Corneliu Porumboiu obtém uma interessante combinação de cinema político e comédia, com diálogos muito bem humorados em que visões ideológicas e algumas pequenas mentiras se confrontam de forma bastante irônica. Porumboiu consegue aproveitar com eficiência e criatividade o espaço limitado do cenário, além de conseguir extrair habilmente humor de um tema árido e de personagens essencialmente amargurados.
E para quem se interessar pelo cinema romeno a partir de “A Leste de Bucareste”, vale correr atrás de um filme ainda melhor chamado “A Noite do Senhor Lazarescu”, uma sensacional obra-prima lançada alguns anos e ainda inédita no Brasil.
E para quem se interessar pelo cinema romeno a partir de “A Leste de Bucareste”, vale correr atrás de um filme ainda melhor chamado “A Noite do Senhor Lazarescu”, uma sensacional obra-prima lançada alguns anos e ainda inédita no Brasil.
Doutor Jivago, de David Lean ***1/2
Acredito que a noção geral de “Doutor Jivago” ser considerado atualmente um clássico da história do cinema tem mais relação com o fato do filme ser uma referência para uma série de pessoas do que propriamente pelo fato questionável de tal produção ser efetivamente uma obra-prima. Tal filme tem um caráter fortemente emocional, residindo aí o seu apelo para boa parte do público que o admira incondicionalmente. Em termos formais, é claro que “Doutor Jivago” e competente, o que não chega a ser surpresa para uma obra da autoria de David Lean, um cineasta extremamente meticuloso. As belas paisagens que pululam por toda a metragem do filme são fotografadas em todo o seu esplendor. A eficiente edição faz com que a longa duração da obra não seja um fardo. Os exageros românticos do roteiro, a excessiva solenidade de alguns momentos e as interpretações afetadas de Omar Sharif (do início ao fim do filme o cara parece estar sempre prestes a se debulhar em lágrimas), Julie Christie e Geraldine Chaplin, entretanto, fazem com que “Doutor Jivago” caia em algumas oportunidades em lugares comuns e numa pomposidade artificial que tira um pouco o brilho e a fluência do filme.
quinta-feira, julho 05, 2007
Ato Terrorista, de Joseph Castelo ***

Mesmo não tendo maiores arroubos estéticos, “Ato Terrorista” é uma obra inquietante sobre a temática do terrorismo nos dias atuais. Mesmo que a imparcialidade ideológica seja quase uma utopia no ato de expressar uma visão sobre o assunto, o diretor Joseph Castelo retrata muito bem a ambigüidade da questão. Ao mesmo tempo que ficamos chocados com o radicalismo e a indiferença de Hassan (Ayad Akhtar), o protagonista do filme, ao executar todos os passos da sua ação terrorista, temos também a consciência do processo que levou Hassan a ser tornar um fanático pela sua causa. Essa coerência no tratamento da temática do filme aumenta ainda mais o impacto da trama, fazendo com que Castelo não abra concessões para tornar mais fácil a trajetória de Hassan. Muito pelo contrário. Na visão de Castelo, não há espaço para a redenção ou até mesmo culpa. O protagonista cumpre com o destino que lhe foi determinado, sem se importar com as conseqüências para a sua pessoa. E para um público acostumado com as simplificações de conceitos maniqueístas, tal conclusão não deixa de ter um efeito perturbador.
Syriana, de Stephen Gaghan **

Quando se assiste “Syriana”, tem-se a impressão que se pode ver boa parte dos elementos que configurariam um bom filme. Há uma trama interessante que se desenvolve em várias histórias paralelas envolvendo uma conspiração das indústrias petrolíferas. Alguns personagens impressionam pela consistência e carisma, além do elenco do filme, em sua grande maioria, dar o suporte adequado na caracterização dos mesmos (principalmente na interpretação tensa de George Clooney). Apesar de todas essas boas qualidades, contudo, “Syriana” é uma obra que nunca consegue decolar. Faltou ao diretor Stephen Gaghan pegar todos esses fatores que tinha ao seu favor e dar uma unidade narrativa mais dinâmica e ousada. Ele se conforma com a temática “séria”, como se apenas isso pudesse dar validade ao seu filme. O resultado acaba sendo uma produção que parece estar sempre em ponto morto, chegando a induzir ao sono em algumas seqüências. Gaghan quis fazer uma espécie de novo “Traffic”, filme no qual foi roteirista, mas evidentemente não tem o mesmo traquejo cinematográfico de Steven Soderbergh.
quarta-feira, julho 04, 2007
Cafuné, de Bruno Vianna *

É muito provável que você, caro leitor, não consiga assistir “Cafuné” em alguma sala de cinema aqui de Porto Alegre. E isso é culpa do excesso de blockbusters nas nossas salas de exibição? Não creio. Acredito que o motivo real é que o filme é ruim mesmo. O diretor Bruno Vianna teve a pretensão de colocar na mesma trama drama social e história de amor tendo como pano de fundo um Rio de Janeiro em ebulição, o que pode fazer com que se espere uma produção no mínimo contundente. O resultado, entretanto, é pífio e sem alma. “Cafuné” é uma obra sem personalidade e mal costurada, sendo que a única coisa que pode provocar na platéia são alguns bocejos.
A Lenda, de Ridley Scott ***

Ridley Scott é o tipo de diretor que mesmo quando não está em seus dias mais inspirados consegue realizar um filme no mínimo interessante. “A Lenda” está bem longe de filmes sensacionais como “Os Duelistas” e “Blade Runner”, principalmente pela sua narrativa fria e um pouco frouxa. Mesmo assim, acaba valendo uma conferida pela criativa concepção visual de seus cenários. Scott criou um belo mundo fantástico, com uma fotografia que realça a bem cuidada estética do filme. Pena que o roteiro insípido e a direção burocrática de Scott não saibam aproveitar todo o potencial criativo propiciado pela direção de arte e fotografia.
terça-feira, julho 03, 2007
Borat, de Larry Charles ****
O grande barato de “Borat”, além da genial capacidade em obter situações constrangedoras e hilárias de Sacha Baron Cohen, é a forma com que o diretor Larry Charles pega uma série de seqüências cômicas pautadas pelo improviso e pela anarquia e dá uma unidade e coerência narrativa impressionante, fazendo com que o filme, no meio de uma impressionante sucessão de momentos de puro pastelão escatológico, tenha uma lógica muito bem focada, lembrando nesse sentido o melhor da produção do Monty Python. Assim, talvez seja muito fácil numa primeira impressão se ter a idéia de que o filme seja apenas uma coleção solta de piadas politicamente incorretas. Uma observação mais atenta, entretanto, revela uma obra com um caráter fortemente humanista. Afinal, Borat consegue colocar suas “vítimas” em situações tão desconcertantes que as mesmas acabam revelando com muito mais crueza e sinceridade a verdadeira alma da sociedade norte-americana, algo que muitas produções pretensamente sérias, como “Fahrenheit 11 de Setembro” de Michael Moore, não conseguiram chegar nem perto.
Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney ***1/2
Existem alguns filmes que geram toda uma série de comentários mais sobre questões extra-cinematográficas do que propriamente sobre os seus méritos artísticos. “Boa Noite e Boa Sorte” é um desses casos. Em 2006, resenhas e comentários colocavam que se tratava de uma obra “corajosa” por fazer uma analogia entre o mccarthismo e a atual Era Bush. Puro exagero. O filme não traz nada de novo ao tema e nem é tão questionador assim, sendo a típica produção pretensamente “política” que o povo politicamente correto adorar assistir para se sentir “transgressor”. Quem quiser assistir filmes políticos realmente inquietantes deve ir atrás de obras como “A Classe Operária Vai ao Paraíso”, de Elio Petri, ou “Z”, de Costa Gavras, filmes esses que são rebeldes até na própria estrutura narrativa. Isso não quer dizer necessariamente, entretanto, que “Boa Noite e Boa Sorte” seja um mau filme. Muito pelo contrário. Mesmo não tendo a mesma criatividade estética e narrativa de “Confissões de Uma Mente Perigosa”, a altamente promissora estréia de George Clooney como diretor, “Boa Noite e Boa Sorte” tem momentos de alto nível cinematográfico, principalmente pelo interessante trabalho de fotografia e edição que mistura a recriação de época com imagens de arquivo até um ponto que fica difícil distinguir onde começa uma e termina a outra. Além disso, Clooney consegue extrair de um roteiro quase minimalista algumas fortes seqüências de tensão, também sabendo aproveitar com precisão as interpretações econômicas e sutis da maioria do seu elenco (com claro destaque para David Strathairn, Patricia Clarkson e Robert Downey Jr.- este último, aliás, o melhor ator norte-americano em atividade, ao lado de Mark Ruffalo).
This Is Spinal Tap, de Rob Reiner ****

Você é ou já foi fã de alguma banda psicodélica oportunista ou de algum ridículo grupo de hard rock farofa? Ou você é o pai desesperado e ranzinza de algum garoto louco por esse tipo de coisa? Bem, seja qual a opção em que estiver enquadrado o fato é que você de alguma forma não vai conseguir ficar impassível e não dar algumas boas gargalhadas com This Is Spinal Tap, um delicioso e hilário falso documentário que aborda a trajetória acidentada de uma banda fictícia chamada Spinal Tap. Todos aqueles clichês básicos das histórias das mais clássicas bandas de rock estão presentes: mudanças esdrúxulas de estilo musical de acordo com a moda, namoradas que influenciam nas decisões, empresários picaretas, discussões ególatras entre os músicos, figurinos de gostos duvidosos, shows pretensamente apoteóticos, turnês em lugares insólitos para revitalizar a carreira da banda. E tudo isso é temperado com uma tremenda ironia no genial tratamento “realidade de mentirinha” que o diretor Rob Reiner oferece para o filme. É de ressaltar, entretanto, que o espírito gozador do cineasta ao mesmo tempo tem embutido uma inusitada dose de carinho na forma com que a banda é retratada. Ou seja, mesmo com todo o ridículo das situações, nós não conseguimos deixar de simpatizar e até mesmo curtir pra caramba o som dos caras. E não seria justamente essa contradição entre amor e repulsa que torna o rock tão fascinante?
O Ritmo de Um Sonho, de Craig Bewer ****

Nos últimos anos, filmes tendo o gênero musical rap como tema principal das suas tramas se proliferaram pelas telas do mundo inteiro (podendo-se se destacar nessa leva o forte 8 Mile – Ruas das Ilusões, de Curtis Hanson). Mas o grande destaque nessa linha de filmes é sem dúvida O Ritmo de Um Sonho, contundente produção norte-americana que tem como protagonista o carismático gigolô e traficante Djay (Terrence Howard), um marginal que encontra no ato de compor e cantar uma possibilidade de dar uma reviravolta na sua vida. Não é de se esperar, entretanto, mais uma manjada produção no estilo “você pode superar tudo se quiser”. Na trajetória de Djay, não há soluções mágicas para os seus problemas e nem transformações radicais de personalidade. A dureza e sordidez de sua vida como meliante estão presas na sua própria personalidade e se refletem de forma magnífica na sua música. Além dessa visão lúcida e madura sobre a vida do seu protagonista, o cineasta Craig Bewer absorve e remodela com maestria influências da estética suja e dinâmica do blackexploitation, gênero típico dos anos 70 com produções baratas e divertidas que eram totalmente voltadas para o público black. Mas isso não tira o caráter universal de O Ritmo de Um Sonho, e o resultado acaba sendo um dos melhores filmes dos últimos anos e que acabou rendendo o Oscar de melhor canção para a memorável “It’s Hard Out Here For a Pimp” e uma indicação para o prêmio de melhor ator para Terrence Howard.
Filmes das Últimas Semanas (Cotações de 0 a 4 estrelas)
O Céu de Suely, de Karim Aïnouz ***1/2
Inferno, de Danis Tanovic ***
Caparaó, de Flávio Frederico **
Fome Animal, de Peter Jackson ****
Pai e Filho, de Aleksandre Sokurov ****
Tarnation, de Jonathan Caouette ****
Lilian M: Relatório Confidencial, de Carlos Reichenback ****
13 Homens e Um Novo Segredo, de Steven Soderbergh ****
O Ritmo de Um Sonho, de Craig Brewer ****
This Is Spinal Tap, de Rob Reiner ****
O Homem Que Odiava as Mulheres, de Richard Fleisher ****
A Moça Com a Valise, de Valerio Zurlini ****
Beavis e Butthead Detonam a América, de Mike Judge e Yvette Kaplan ****
Inferno, de Danis Tanovic ***
Caparaó, de Flávio Frederico **
Fome Animal, de Peter Jackson ****
Pai e Filho, de Aleksandre Sokurov ****
Tarnation, de Jonathan Caouette ****
Lilian M: Relatório Confidencial, de Carlos Reichenback ****
13 Homens e Um Novo Segredo, de Steven Soderbergh ****
O Ritmo de Um Sonho, de Craig Brewer ****
This Is Spinal Tap, de Rob Reiner ****
O Homem Que Odiava as Mulheres, de Richard Fleisher ****
A Moça Com a Valise, de Valerio Zurlini ****
Beavis e Butthead Detonam a América, de Mike Judge e Yvette Kaplan ****
terça-feira, junho 12, 2007
Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 estrelas)
Não Por Acaso, de Phillippe Barcinski **1/2
Princesas, de Fernando León de Aranoa ***
Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias ***
Zodíaco, de David Fincher ****
O Homem Duplo, de Richard Linklater ****
Cronos, de Guillermo Del Toro ****
Nightmare, de Freddie Francis ***
The Changeling, de Peter Medak ***
Maléfique, de Eric Valette ***
O Fantasma de Kasane, de Nobuo Nakagawa ***1/2
Cotton Club, de Francis Ford Coppola ****
Visões, de Oxide Pang Chun e Danny Pang **
Princesas, de Fernando León de Aranoa ***
Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias ***
Zodíaco, de David Fincher ****
O Homem Duplo, de Richard Linklater ****
Cronos, de Guillermo Del Toro ****
Nightmare, de Freddie Francis ***
The Changeling, de Peter Medak ***
Maléfique, de Eric Valette ***
O Fantasma de Kasane, de Nobuo Nakagawa ***1/2
Cotton Club, de Francis Ford Coppola ****
Visões, de Oxide Pang Chun e Danny Pang **
segunda-feira, junho 04, 2007
Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood

Confesso que estranhei a preferência da maioria das pessoas em relação à “Cartas de Iwo Jima” do que “A Conquista da Honra”, os dois filmes que Clint Eastwood realizou mostrando o conflito armado entre norte-americanos e japoneses na ilha de Iwo Jima sob duas óticas diferentes. Não que “Cartas de Iwo Jima” não seja um bom filme: o clima fortemente tenso de algumas cenas, a rigorosa e bem azeitada recriação das batalhas entre os dois exércitos e o lúcido questionamento sobre o inflexível código de honra dos militares japoneses fazem do filme um espetáculo cinematográfico de grandeza inquestionável. Deve-se considerar, entretanto, que “Cartas de Iwo Jima” em alguns momentos resvala num certo academicismo excessivo, e mesmo o foco constante sobre a validade da defesa do árido território da ilha torna o filme um pouco cansativo e solene demais em determinadas seqüências. Não há aquela magnífica alternância de passado e presente que permeia toda a metragem de “A Conquista da Honra” e nem a ambivalência da oposição entre heroísmo e desmistificação que é o cerne desse último.
A verdade é que “Cartas de Iwo Jima”, assim como no superestimado “Menina de Ouro”, apesar de ser um ótimo filme, deixa essa leve impressão de decepção porque sempre esperamos muito de Clint Eastwood, um cineasta que já nos ofereceu inesquecíveis obras primas como “O Imperdoáveis”, “Sobre Meninos e Lobos” e “Um Mundo Perfeito”.
A verdade é que “Cartas de Iwo Jima”, assim como no superestimado “Menina de Ouro”, apesar de ser um ótimo filme, deixa essa leve impressão de decepção porque sempre esperamos muito de Clint Eastwood, um cineasta que já nos ofereceu inesquecíveis obras primas como “O Imperdoáveis”, “Sobre Meninos e Lobos” e “Um Mundo Perfeito”.
Alta Freqüência, de Gregory Hoblit ***
“Alta Freqüência” está muito longe de ser uma obra revolucionária ou genial. É apenas uma empolgante ficção científica. E nos dias atuais, em que se costuma cultuar bunda-molices como “Babel” ou “Amelie Poulain”, não deixa de ser um pouco transgressor um diretor fazer um filme que quer apenas contar uma boa história e prender a atenção do espectador com boas seqüências de pura tensão. A trama simples de um rapaz que consegue se comunicar com seu falecido pai através de um rádio transmissor que é uma ponte entre passado e futuro acaba cativando pela honestidade e objetividade de suas intenções. E Dennis Quaid está no ápice das suas atuações tipicamente boa-praça: o cara parece que nasceu para esse tipo de filme. A vida para apreciadores de cinema seria bem melhor se chegassem mais nas telas produções despretensiosas e imaginativas como esse “Alta Freqüência” do que obras pretensamente “sérias” e “edificantes” que tanto assolam as salas...
Filmes da Semana (cotações de 0 a 4 estrelas)
Extermínio 2, de Juan Carlos Fresnadillo ****
Alpha Dog, de Nick Cassavetes ***1/2
Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho ****
Sou Feia, Mas To na Moda, de Denise Garcia ***1/2
Ventos da Liberdade, de Ken Loach ****
Nascidos em Bordéis, de Zana Briski e Ross Kauffman **
Godfathers And Sons, Marc Levin ***
Piano Blues, de Clint Eastwood ***1/2
Alpha Dog, de Nick Cassavetes ***1/2
Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho ****
Sou Feia, Mas To na Moda, de Denise Garcia ***1/2
Ventos da Liberdade, de Ken Loach ****
Nascidos em Bordéis, de Zana Briski e Ross Kauffman **
Godfathers And Sons, Marc Levin ***
Piano Blues, de Clint Eastwood ***1/2
quarta-feira, maio 30, 2007
Filmes da Semana
Escola de Idiotas, de Tod Phillips ***
A Grande Jornada, de Raoul Walsh ***1/2
O Último Pistoleiro, de Don Siegel ****
A Montanha Sagrada, de Alejandro Jodorowsky ****
Mundo Cão, de Gualtiero Jacopetti ***1/2
Gaviões e Passarinhos, de Pier Paolo Pasolini ***1/2
A Grande Jornada, de Raoul Walsh ***1/2
O Último Pistoleiro, de Don Siegel ****
A Montanha Sagrada, de Alejandro Jodorowsky ****
Mundo Cão, de Gualtiero Jacopetti ***1/2
Gaviões e Passarinhos, de Pier Paolo Pasolini ***1/2
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