
A abertura já nos dá uma bela idéia do que está por vir: após uma sombria seqüência de suicídio de um colecionador de livros de magia negra, entram os créditos, com a câmera fazendo um vôo no meio de uma biblioteca cheia de livros empoeirados. Após esse forte início, começa efetivamente a trama do filme. Dean Corso (Johnny Deep) é um caçador de obras literárias em versões antigas que recebe a missão de encontrar um raríssimo livro de ocultismo com poderes apocalípticos. No meio da sua trajetória, Corso se envolverá em diversas situações tétricas e sangrentas, recheadas de mortes bizarras e estranhas.
Ao longo do filme, Polanski desenvolve com maestria todo o seu virtuosismo cinematográfico, além de um domínio de narrativa fabuloso. Um dos seus grandes acertos é dispensar qualquer tom maniqueísta. Não temos uma batalha entre o bem e o mal: no final das contas, Corso é tão insano e pouco ético quanto os “vilões” que estão atrás do tal livro. A obsessão de Corso na sua busca vai ficando cada vez mais intensa com o desenrolar da trama, não se atenuando nem mesmo com o verdadeiro banho de sangue que permeia a metade final de “O Último Portal”, e que acaba culminando na maravilhosa seqüência em que o protagonista transa com uma espécie de anjo demoníaco (Emmanuelle Seigner, cuja expressão facial oscila de forma maravilhosa entre a doce inocência e sorrisos diabólicos) no meio de um templo se incendiando.
“O Último Portal” é uma prova de que o gênio cinematográfico continua tão inquietante quando em décadas anteriores, sendo uma obra do mesmo quilate de “O Pianista”, a dura e irônica visão do cineasta polonês sobre a II Guerra Mundial.
Um comentário:
Taí um dos meus filmes favoritos dos anos 90. Sensual, satânico, cretino quando deve ser... tem um final que não combina com nada, mas duas horas geniais e três minutos ruins no fim? Fecho negócio na hora!!!
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