sábado, janeiro 31, 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher ***


Não que a obra em questão seja um filme ruim. A direção de arte é muito bem cuidada, a fotografia é de bom gosto, os efeitos especiais são realmente deslumbrantes. Ou seja, é um bom filme... O problema é que a gente sai do cinema com a sensação de que poderia ter sido muito melhor. David Fincher é um diretor que tem em seu currículo obras-primas como “Seven” (1995), “O Clube da Luta” (1999) e “Zodíaco” (2007), e a premissa inicial do filme, baseada em um conto de F. Stott Fitzgeral, é altamente promissora. O resultado é decepcionante, tendo em vista uma excessiva assepsia que paira por todo o filme. Em alguns momentos, o filme parece uma mistura indigesta de elementos de outros filmes que “deram certo”: o gosto por situações e personagens exóticos de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulan”, a mistura de fábula com eventos reais de “Forrest Gump”, uma história de amor impossível de “As Pontes de Madison”. Falta personalidade e vida para “O Curioso Caso de Benjamin Button”, o que acaba sendo surpreendente para um cineasta tão criativo como Fincher, sendo que essa junção burocrática de influências acaba soando mais como uma tentativa de obter o máximo possível de indicações para o Oscar (o que acabou realmente acontecendo).

3 comentários:

Marco disse...

Também notei essa assepsia. E admito que tenho ainda menos gosto do que tu demonstraste neste texto. Achei um filme sem verdade, com atuações constrangedoras e momentos cômicos não-intencionais. Acho o David Fincher um diretor inconstante e advogo o talento de Pitt como ator, mas ambos estão em seus piores momentos. Gosto muito de "Zodíaco", mas não de "Clube da Luta" e "Seven". Fincher nesse caso tenta ser 30% PTA (um autor bem mais talentoso que ele), 30% Jeunet e 40% Robert Zemeckis (autor com o qual ele divide o interesse por efeitos especiais de ponta, sem motivo narrativo aparente).

André Kleinert disse...

Acho que com "Seven" o Fincher acabou criando, sem querer, uma fórmula de fazer filmes sobre psicopatas e seus crimes, sendo que acabou sendo imitado por um monte de gente(O Colecionador de Ossos ou a série Jogos Mortais, por exemplo). Com Zodíaco, ele quis fazer a antítese de Seven, e acabou fazendo um filme melhor ainda.

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