terça-feira, janeiro 27, 2009

Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado ***1/2


“Onde Andará Dulce Veiga?” (2007) é um tipo raro de filme dentro do atual panorama do cinema nacional. Em vez de fazer “crítica social” ou dar lições obtusas de história, o cineasta Guilherme de Almeida Prado busca o desenvolvimento de uma linguagem cinematográfica rebuscada e original, onde uma gama de referências vindas não só do cinema como também da música, literatura e quadrinho forma um estranho e atraente amálgama visual e sonoro. Prado não quer apenas que o espectador acompanhe a sua trama rocambolesca, mas que também embarque numa verdadeira viagem sensorial não só pelo imaginário do próprio diretor, mas também por um imaginário cultural coletivo. Muitos elementos que saltam das telas em “Onde Andará Dulce Veiga?” são familiares aos nossos olhos, mas também trazem uma sensação de algo insólito.

Mesmo sendo um pouco mais irregular e convencional do que a obra-prima “A Hora Mágica” (1998), “Onde Andará Dulce Veiga?” acaba sendo uma obra cinematográfica esteticamente vigorosa e ousada como poucas a aparecer ultimamente em nossas salas. Afinal, não é todo o dia que se vê misturado de forma tão coesa elementos aparentemente tão díspares como o surrealismo de David Lynch, influências de cinema noir, erotismo deslavado típico do cinema da Boca do Lixo e o espírito brasileiro escancaradamente romântico derramado de uma samba canção...

2 comentários:

Marco disse...

Almeida Prado é um dos poucos verdadeiros brasileiros que podem ser chamados verdadeiramente de cineastas, pois tem fluência de linguagem.

André Kleinert disse...

Marco

Concordo inteiramente contigo. O fato dos filmes dele ficarem tão pouco tempo em cartas ou serem muito difíceis de encontrar nas locadoras mostra como se valoriza pouco nesse país os cineastas que tem uma linguagem própria.