terça-feira, julho 10, 2012

Perversão assassina, de David Schmoeller ***1/2


Um filme de suspense/horror que tem como protagonista um senhorio assassino/tarado/psicopata (e que no passado foi um oficial nazista) que mata suas inquilinas já seria algo muito promissor. Mas se esse papel principal é vivido pelo maníaco-mor Klaus Kinski, a obra acaba ganhando um status de imperdível. É justamente o que ocorre com “Perversão assassina” (1986). Kinski está ótimo nos seus bizarros trejeitos e expressões, mas reduzir o interesse na obra apenas na sua interpretação seria injusto. O diretor David Schmoeller cria alguns climas de tensão perturbadores, tanto pela sombria direção de fotografia quanto pela expressiva trilha sonora (retomando a bem sucedida parceria com o grande compositor Pino Donnagio). A pensão onde se desenvolve a trama acaba se tornando um personagem próprio, principalmente pela forma como a câmera se movimenta, o que acentua ainda mais a atmosfera de suspense que permeia o filme. É de se destacar ainda a plasticidade das tomadas de violência – ainda que brutais, demonstram um notável requinte no seu detalhamento visual e na sua composição cênica.

Tão divertido quanto ver “Perversão assassina” é assistir a Schmoeller relembrando detalhes de bastidores da realização do filme, principalmente no que diz respeito à participação conturbada de Kinski, a um ponto que a hipótese dele ser demitido no meio das filmagens sempre foi provável – o fato dele ter participado até o fim foi um verdadeiro milagre...

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