quinta-feira, abril 07, 2011

Fúria Sobre Rodas, de Patrick Lussier *


Equações metafóricas vêm à minha mente para que eu possa expressar o equívoco que é “Fúria Sobre Rodas” (2011). Pense, por exemplo, em todas as bombas (e não foram poucas) das quais Nicolas Cage participou e concentre num filme só. Ou tente imaginar um diretor que acha que pode ser ao mesmo tempo Tarantino, Robert Rodrigues ou Rob Zombie (mas que não tem nem um décimo do talento e criatividade dos cineastas citados). De certa forma, pode-se até perceber as intenções artísticas do cineasta Patrick Lussier: valer-se de uma série de referências ao universo exploitation e condensar tudo numa obra com recursos hollywoodianos. E dá-lhe muito sexo, mulher pelada, tiros, perseguições automobilísticas, violência, explosões, personagens na linha “feios, sujos e malvados”, satanismo, frases de efeito e, claro, um anti-herói carismático. O resultado final, entretanto, está muito distante da criativa viagem pelo imaginário cinematográfico de um “À Prova de Morte” (2007). Assim como Zack Snyder no nefasto “Sucker Punch – Mundo Surreal” (2011), Lussier revela uma péssima mão na concepção da ação cinematográfica, abusando sem clemência da câmera lenta que beira o estático e de trucagens digitais que fazem, por vezes, “Fúria Sobre Rodas” ter o visual de um genérico game. É claro que há na atmosfera do filme uma sordidez que não é tão frequente nas produções derivadas dos grandes estúdios norte-americanos, mas que acaba diluída pela inconsistência narrativa da obra, não atingindo assim a mesma aura perturbadora da sombria obra-prima de Rob Zombie, “Rejeitados Pelo Diabo” (2005).

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