quarta-feira, janeiro 11, 2012

Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg ***1/2



De certa forma, a estrutura da trama de “Cavalo Guerra” (2011) é um tanto atípica para os padrões de Steven Spielberg e até entrega suas origens literárias – o mote principal do cavalo que é “convocado” para participar da I Guerra Mundial serve também como elo de ligação para uma série de sub-tramas, algumas bem interessantes, outras nem tanto, o que dá uma certa irregularidade para a produção. O segredo da capacidade de envolver o público está mais na síntese narrativa de Spielberg e na sua capacidade de gerar cenas inesquecíveis. As seqüências de conflitos armados representam o ponto alto do filme, evocando a crueza e brutalidade daquela inesquecível meia-hora inicial de “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), sem que o diretor precise recorrer necessariamente a recursos típicos do cinema documental. E fora destas tomadas que privilegiam a ação, Spielberg consegue ainda alguns momentos de rara poesia visual, com destaque para a insólita cena em que um soldado norte-americano e outro alemão se solidarizam no meio do campo de batalha para retirar o protagonista equino preso em arames farpados. A direção de fotografia de talhe clássico amplia a força épica de “Cavalo de Guerra”, apesar das últimas cenas terem enquadramentos e iluminação que fazem lembrar um comercial de Malboro.

É claro que a abordagem pouco sentimental e a concisão narrativa de “Munique” (2005) representaram um grande degrau de refinamento no estilo Spielberg de dirigir, o que faz com que a pieguice e a grandiloquência de algumas cenas em “Cavalo de Guerra” possam trazer uma certa carga de frustração. Ainda assim, o filme está muito acima da média do que se produz atualmente em termos de ousadia formal e mostra que Spielberg nunca poderá ser considerado carta fora do baralho.

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