quinta-feira, agosto 30, 2012

Prometheus, de Ridley Scott ***1/2


Tentar compreender e apreciar “Prometheus” (2012) utilizando como critério principal o seu roteiro é uma alternativa equivocada. A trama do filme é o seu grande ponto fraco e também reflete muito dos dilemas criativos de Ridley Scott ao dirigir o filme. Afinal, a proposta inicial da produção era funcionar como uma obra que explicasse determinadas situações que levaram à história inicial de “Alien – O oitavo passageiro” (1979). Lá pelas tantas, entretanto, Scott resolveu que queria fazer uma ficção científica mais cerebral e reflexiva, com nítidas influências de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” (1968). Como conciliar duas abordagens tão distintas dentro do mesmo filme? Tal dúvida acabou gerando um roteiro confuso e com algumas soluções primárias. A forma com que os aliens são inseridos na história é tão forçada que faz imaginar que Scott tenha pensado em uma determinada altura: “putz, lembrei, tenho de colocar um alien nessa história!”. E os minutos finais soam como uma mera desculpa para dar gancho para a inevitável sequência. Por mais que tais problemas de roteiro posam incomodar, entretanto, o que prevalece em “Prometheus” é o encanto pela capacidade narrativa e o deslumbramento visual de diversas partes do filme. Para fazer a caracterização do planeta onde se desenrola a trama, há uma complexa e muito bem urdida mescla entre efeitos digitais e paisagens naturais, resultando na criação de um registro imagético fascinante. Scott cria também atmosferas insólitas, que variam entre o tom quase surreal e onírico da abertura com a criação da Terra e momentos de pura tensão e horror (o “parto” de um bebê alien é uma cena antológica na sua combinação de repulsa e ironia).

As expressivas qualidades de “Prometheus” fazem pensar em como o filme poderia ter sido ainda melhor se não houvesse as pressões externas de produtores para que Scott dirigisse uma obra “acessível”, além de sugerirem que uma possível “versão do diretor”, assim como uma eventual continuação, não caiam na simples vala do oportunismo de mercado.

3 comentários:

Marcelo C,M disse...

É o filme que mais dividiu opinião, e quando acontece isso, tem coisa boa ai. Eu sou da ala que gostou bastante do filme e por mim uma sequencia não é necessária.

André Kleinert disse...

Eu confesso que gostaria de ver uma sequência para o filme. Imagina o que o Ridley Scott deve ter imaginado para caracterizar o planeta dos Engenheiros??

Rogerio Moraes disse...

Olá, André!
Gostei do filme e acho que a única falha na obra é na construção dos personagens, que são rasos como pires! Acho a direção de Ridley Scott excelente. Ele é um dos poucos diretores que sabem como dirigir uma ficção cinetífica que não é um blockbuster e nem um filme B, mas sim uma obra "classuda".
Também tenho um blog sobre cinema e ficaria feliz se vc desse uma passadinha por lá: cinemaeprasediverdir.blogspot,com.br
Um abraço!