quinta-feira, outubro 09, 2014

Os Boxtrolls, de Graham Annable e Anthony Stacchi ***1/2


Ao contrário das animações blockbusters originárias de estúdios como Disney, Pixar e Dreamworks, “Os Boxtrolls” (2014) não é o tipo de lançamento no gênero que vai ser um fenômeno de bilheteria. Ainda que destinada a princípio ao público infantil, sua atmosfera sombria e sua caracterização gráfica mais “sujona” e estilizada, que por vezes evoca uma ambientação de pesadelo, fará com que o filme se enquadre naquele nicho de obras mais cultuadas por adultos, na linha de “Coraline e o mundo secreto” (2009) e “ParaNorman” (2012) – não por acaso, lançados pela mesma produtora de “Os Boxtrolls”. É claro que está lá o típico tom fabular moral e crianças e adolescentes podem curtir na boa o filme, pois boa parte dos personagens, inclusive vilões, é de caracterização cativante e as cenas de aventura são empolgantes no seu frenesi de ação frenética e moderada violência. Mas é no seu subtexto que tal animação se sobressai ainda mais, tanto no caráter simbólico da trama, que alude de forma até ácida a questões espinhosas como preconceito e desigualdades sociais, como na construção psicológica de alguns personagens, marcada por uma certa perversidade irônica e desconcertante.

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