sexta-feira, julho 26, 2019

Quatro irmãos, de John Singleton ***


Recentemente falecido, o diretor norte-americano John Singleton sempre passou a impressão de uma grande promessa que não seu cumpriu. “Os donos da rua” (1991) criou uma forte expectativa em torno de seu nome por se tratar de um trabalho vigoroso em torno de uma temática problemática envolvendo racismo e jovens negros dos subúrbios envolvidos com a criminalidade, revelando ainda alguns atores em início de carreira que depois obtiveram algum prestígio. Ainda que fosse um trabalho memorável, em termos formais e narrativos não trazia grandes ousadias, o que talvez caracterizasse que a tal expectativa sobre seus próximos trabalhos fosse até exagerada. A verdade é que Singleton se tornou um artesão competente dentro dos padrões comerciais tradicionais do cinema de ação contemporâneo (e não o “grande cineasta autoral” que a crítica e parte do público esperavam). Nesse sentido, “Quatro irmãos é um trabalho emblemático dentro desse direcionamento artístico. É uma obra que traz uma carga considerável dos clichês estéticos e temáticos inerentes ao gênero, mas trabalhados de forma segura o suficiente para garantir o interesse da plateia. Por outro lado, Singleton até se permite realizar algumas bem-sacadas referências ao cinema blaxploitation, principalmente na utilização da trilha sonora funk-soul e na encenação algo estilizada de algumas sequências. Ou seja, nesses termos, “Quatro irmãos” por vezes até se mostra acima da média e fora do rotineiro.

Nenhum comentário: