sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Clube de Compras Dallas, de Jean-Marc Vallée ***


Existem filmes cuja temática e concepção de realização configuram uma espécie de protótipo de obra feita para ganhar prêmios e gerar discussões. “Clube Compras Dallas” (2013) se enquadra nessa linhagem e as suas indicações ao Oscar confirmam o funcionamento desse mecanismo. A narrativa evoca uma certa crueza, o roteiro evoca fatos reais e um tema tabu (homossexualismo e AIDS), os atores enveredam por transformações físicas para deixar suas interpretações mais intensas (recurso, aliás, que geralmente rende crédito para algum ator ser lembrado para prêmios de atuação). É claro que a produção é convencional na sua estrutura de melodrama, formulaica e por vezes até apelativa em alguns golpes emocionais da trama, mas também é inegável que a encenação proposta pelo diretor Jean-Marc Vallée tem vigor e oferece um interessante panorama de uma época (anos 80) em que a ignorância e o preconceito em relação aos soros positivos chegavam às raias do grotesco. E por mais que haja o já mencionado direcionamento no estilo de composição dramática de Matthew McConaughey, sua caracterização tem a capacidade de cativar e impressionar.

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