quinta-feira, março 22, 2018

15h17 - Trem para Paris, de Clint Eastwood *1/2


Dá para dizer que desde a dobradinha “A conquista da honra” e “Cartas de Iwo Jima”, ambos lançados de 2006, o diretor Clint Eastwood tem demonstrado uma certa obsessão em seus filmes com histórias baseadas em fatos reais a ressaltarem questões como o patriotismo, o heroísmo e a guerra. Em quase todos eles, ele conseguiu fazer com que as narrativas não tropeçassem no meramente laudatório ou no ufanismo simplório a partir de um bem engendrado equilíbrio entre classicismo formal e sóbria atmosfera emocional. Pois a exceção a essa habitual abordagem do cineasta acaba se configurando justamente na sua obra mais recente, “15h17 – Trem para Paris” (2018). Ao término da projeção, a impressão é a de se ter assistido a uma convencional e apelativa peça de propaganda cristã-armamentista-patriota. Ao invés daquela perturbadora ambiguidade existencial e da notável síntese entre sutileza estética e expressiva caracterização imagética que pairavam em obras como “A troca” (2008) e “Sniper americano” (2015), o que se tem é uma produção genérica repleta de discursos de autoajuda e encenada com uma mão pesada que parece que nem é a do mesmo diretor que tem obras-primas como “Os imperdoáveis” (1992) e “Sobre meninos e lobos” (2003) em sua filmografia.

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