quinta-feira, janeiro 12, 2017

Eu, Daniel Blake, de Ken Loach ****

Este blog tem a intenção primordial de falar sobre filmes, mas para comentar uma obra como “Eu, Daniel Blake” (2016) é inevitável para este que vos escreve fazer um pequeno aparte sócio-político. É que na minha visão, um regime previdenciário que prevê concessão de proventos integrais somente após 45 anos de trabalho e idade mínima de 65 anos aliado a uma radical flexibilização de direitos trabalhistas, conforme deseja o usurpador Temer e seus asseclas políticos e empresários, tem fins bastante específicos: matar pobre e humilhar a classe trabalhadora, jogando milhões de pessoas no mercado informal e na marginalidade. O diretor britânico Ken Loach parece também concordar com tal previsão pessimista, pois a trama de seu filme mostra justamente a trajetória de degradação e angústia morais e existenciais pelo qual o protagonista do título passa ao ter de deixar de trabalhar por problemas de saúde e recorrer aos programas de auxílio a desempregados da Inglaterra. Loach conduz a sua narrativa com rigor e precisão, optando por um registro cru e detalhista, sem apelar a truques melodramáticos excessivos, para mostrar o absurdo e desumano inferno tecnoburocrático no qual Daniel (Dave Johns) se afunda em busca de uma ajuda para a sua subsistência básica. O roteiro tem uma profundidade e síntese dialética notáveis, o que se revela em nuances contundentes como a ausência de moralismo hipócrita ao mostrar amigos do personagem principal recorrendo à prostituição e ao descaminho para poderem sobreviver e na arrasadora e coerente conclusão da saga de Daniel. A sobriedade na construção narrativa da produção não sacrifica o forte aspecto emocional inerente a uma história como essa – pelo contrário, pois amplifica ainda mais a dimensão humanista da obra e o caráter desafiador da visão de mundo de Loach.

Um comentário:

Fernando Coelho disse...

Prefiro usurpador do que saqueador, como Lula, Dilma e asseclas, e aproveito para bloquear este site de mais uma vaca de presépio da manada petista.