sexta-feira, maio 06, 2016

O agente da U.N.C.L.E., de Guy Ritchie ***1/2

O diretor britânico Guy Ritchie parecia que tinha se tornado um diretor qualquer depois dos dois filmes de Sherlock Holmes “moderninho” que dirigiu e que se configuravam mais como veículo para o estrelismo autoindulgente de Robert Downey Jr. A impressão é que não havia mais rastro do talento que tinha gerado obras divertidas e casca-grossas como “Jogo, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e “Rock’n’rolla” (2008). Dessa forma, “O agente da U.N.C.L.E.” (2015) acaba sendo uma grata surpresa, revelando um cineasta que consegue recuperar sua veia autoral mesmo dentro da estrutura de uma produção de grande estúdio. Os típicos maneirismos de seus trabalhos iniciais são incorporados com naturalidade aos preceitos narrativos típicos do gênero aventura. Ao invés daquelas encenação e edição de estilo clipeiro de “Sherlock Holmes”, predomina um estilo que transita fluentemente entre o clássico e o renovado. Destacam-se uma direção de arte estilosa e retrô, cenas de ação coreografadas com detalhismo e desenvoltura, roteiro espirituoso que combina de maneira notável intriga e ironia, trilha sonora de canções e temas incidentais memoráveis e ótima direção de atores (canastrões como Henry Cavill e Armie Hammer se mostram expressivos e Alicia Vikander tem uma presença cênica encantadora). Agora é esperar que “O agente da U.N.C.L.E.” não represente apenas um eventual arroubo criativo de Ritchie e que ele mantenha esse padrão em futuras produções.

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