terça-feira, novembro 07, 2017

O estigma de Satanás, de Piers Haggard ***

Na época de seu lançamento, “O estigma de Satanás” (1971) já tinha um certo caráter anacrônico. Vinculado àquela escola de horror delineada pela produtora inglesa Hammer, o filme do diretor Piers Haggard traz realmente a impressão de uma obra datada, principalmente pela formatação tradicional de seu roteiro, pela fleuma de sua encenação e pela sua atmosfera entre o gótico e o pastoril. Ainda assim, esse passadismo por vezes tem algo atraente na forma com que a sua narrativa se espraia na tela, sugerindo uma síntese entre o encantador e o perturbador – é de se considerar que o longa capricha mais na violência e violência gráficas do que os trabalhos da Hammer. Algumas trucagens e mesmo detalhes da maquiagem e caracterização visual jogam o filme naquela zona nebulosa do humor involuntário, impressão essa acentuada por algumas passagens da trama excessivamente maniqueístas. Por outro lado, há uma estranha ambientação difusa e ambígua em determinadas sequências, principalmente naquelas envolvendo rituais de magia negra, além de um sutil subtexto a sugerir uma crítica a um ordenamento religioso patriarcal e opressor. Por mais que a conclusão da produção evoque a velha máxima do “bem vencendo o mal”, há um traço de melancolia amarga na forma com o representante da ordem e da moral do vilarejo interiorano reprime e esmaga o grupo de jovens e deserdados cultores do “mal”.

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