quinta-feira, fevereiro 15, 2018

O destino de uma nação, de Joe Wright ***


Gary Oldman se tornou conhecido inicialmente em sua carreira como ator interpretando duas figuras reais em cinebiografias: o mártir do punk rock Sid Vicious em “Sid & Nancy” (1986) e o libertário dramaturgo homossexual Joe Morton em “O amor não tem sexo” (1987). Não deixa de ser curioso, e também bastante sintomático, que agora esteja muito bem cotado para ganhar um Oscar interpretando outro personagem histórico, só que bem mais “respeitável”, o estadista britânico Winston Churchill. Em “O destino de uma nação” (2017), a parte mais significativa da narrativa se concentra justamente na atuação de Oldman. Ainda assim, não dá para dizer que o ator carrega o filme nas costas e nem que essa produção caia na vala comum de obras academicistas a versarem sobre grandes episódios históricos. O diretor Joe Wright consegue impregnar no seu trabalho algum traço artístico mais distinto e mesmo com um certo caráter insólito em sua abordagem estética. A ação se concentra basicamente em austeros espaços fechados – o palácio real, a mansão do protagonista, o parlamento, o bunker onde traça estratégias e decisões relativas à entrada, ou não, da Inglaterra na Segunda Guerra. Assim, predomina no filme uma atmosfera claustrofóbica, opressiva, com uma encenação que por vezes parece remeter ao teatral. Tal opção narrativa de Wright não é gratuita, pois o subtexto do roteiro tem como uma de suas sutis diretrizes a exposição dos mecanismos de poder na política, principalmente no que diz respeito a uma alienação daqueles que detém o poder perante os reais desejos e necessidades daqueles que governam. Desse modo, o filme incorpora os discursos de Churchill na narrativa com naturalidade e coerência, oferecendo uma efetiva ideia do forte conteúdo humanista de tais textos. É claro que por vezes “O destino de uma nação” resvala em um certo ufanismo ingênuo ou na grandiloquência sentimental inerentes a esse tipo de obra. Mesmo assim, não cai no superficialismo vazio de “The post” (2017) e consegue apresentar alguns momentos memoráveis capazes de se fixar no imaginário do espectador.

2 comentários:

Marcelo Castro Moraes disse...

Gary Oldman é a alma do filme

Areli Pereira disse...

É um filme bom e muito interessante, sinto que história é boa, mas o que realmente faz a diferença é a participação de David Strathairn neste filme. O elenco deste filme é ótimo, eu amo tudo onde David Strathairn aparece, o ultimo que eu vi foi em um filme bom de drama chamado Meu Jantar com Hervé, adorei esse filme! De todos os filmes que estrearam, este foi o meu preferido, eu recomendo, é uma historia boa que nos mantêm presos no sofá. É espetacular. Pessoalmente eu acho que é um filme que nos prende, tenho certeza que vai gostar, é uma boa história. Definitivamente recomendado.