sexta-feira, setembro 14, 2018

O predador, de Shane Black ***


Não se trata de ser saudosista, mas a comparação inevitável que se estabelece entra o clássico “Predador” (1987) e o recente “O predador” (2018) também marca o diferencial do que mudou em termos estéticos e comerciais no que diz respeitos a filmes de ação norte-americanos blockbusters em 30 anos. Entre as grandes virtudes do longa dirigido por John Mc Tierman estavam a narrativa e encenação enxutas, a atmosfera casca-grossa na interação entre personagens e situações do roteiro, as explosões de violência econômicas e graficamente impactantes e uma certa aura de mistério que se conseguia manter em torno da figura do alienígena caçador de humanos, fazendo com que ele se tornasse um ícone cinematográfico por todos esses anos e expandisse a sua influência para outras mídias. Nessa continuação dirigida por Shane Black, o enfoque é bastante diferente – as cenas de ação são espalhafatosas, o ritmo narrativo é frenético, há um tom infanto-juvenil na caracterização de personagens e situações (não à toa, uma das principais figuras da trama é um garoto autista que sofre bullying e é um gênio!), os momentos de violência explícita lembram uma caracterização típica de video grame e as motivações dos predadores são tão esmiuçadas pelo roteiro que não resta espaço algum de tensão dramática para eles. Tudo isso não quer dizer necessariamente que o filme de Black seja ruim. É até bem divertido por vezes. Por mais que se saiba que Black já fez coisa muito melhor (“Beijos e tiros”, “Dois caras legais”), o cineasta revela um seguro domínio da narrativa e consegue garantir o interesse do espectador em meio a uma enxurrada de piadinhas bestas e algumas obviedades formais e temáticas. A sensação de incômodo está na impressão final de que “O predador” dificilmente colará em nosso imaginário como o inesquecível filme de McTierman.

Um comentário:

Leo Rib disse...

Ainda não vi o filme. Mas a maioria das críticas que li sobre ele são negativas.
Quase sempre as pessoas dão a entender que esse filme é abobalhado comparado com o dos anos 80.