sexta-feira, outubro 14, 2016

Kubo e as cordas mágicas, de Travis Knight ***1/2

Há um estranho e fascinante conceito que perpassa toda a narrativa e a concepção estética da animação norte-americana “Kubo e as cordas mágicas” (2016) – a flexibilidade do papel. O protagonista do título tem como principal poder mágico a capacidade de moldar a forma e os movimentos de papéis através do toque de seu instrumento de cordas. A técnica de animação, misto de efeitos digitais e stop-motion, e o grafismo do traço sempre evocam essas figuras de papiros e folhas, gerando uma síntese entre fragilidade aparente e beleza. O fato da trama se passar no Japão e se referir a elementos da cultura nipônica, nesse sentido, não é gratuito, vide a técnica do origami que por diversas é mencionada em trechos fundamentais do roteiro. E há outros fortes pontos positivos nas escolhas artísticas do diretor Travis Knight que formam um todo poderoso e memorável: a caracterização bem delineada de personagens carismáticos, cenas de ação plenas de tensão e dramaticidade, trilha sonora de arranjos e melodias que primam pela sutileza e a contenção de sua utilização, refinado senso de humor. Nessa conjunção conceitual entre estética e temática, o resultado é uma narrativa encantadora que transita com desenvoltura entre o fabular, a aventura, o horror e o elegíaco, e que faz prevalecer como filosofia existencial um tributo à tolerância. 

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