sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Lego Batman: O filme, de Chris McKay ***1/2

Muito mais que uma paródia do universo fílmico da franquia Batman, a animação “Lego Batman: O filme” (2017) é uma ácida dissecação dos clichês narrativos das produções cinematográficas que adaptam as HQs de super-heróis. A produção dirigida por Chris McKay empreende uma verdadeira viagem estética dentro do gênero, indo da caracterização mais escapista e ingênua até as abordagens sombrias típicas desses últimos anos, mas sempre com um viés irônico. Os méritos do filme, entretanto, não se resumem apenas ao seu espírito de gozação. Seu grafismo explosivo revela um detalhismo imagético notável, além de recriar a ambientação de Gothan City combinando uma reverência retrô e alguns toques transgressores. Nesse sentido, é um trabalho bem mais criativo e ousado que a maior parte dos filmes “sérios” dentro da franquia Batman. Aliás, dentro desse lado de ser fiel à essência do protagonista e a atmosfera e contexto humano que o cercam, ainda que repleto de tiradas cômicas, o roteiro consegue delinear até uma sutil complexidade psicológica na caracterização egocêntrica de Batman e de sua doentia com o seu principal antagonista, o Coringa. O homem-morcego se mostra como um personagem bem mais cativante e mesmo ambíguo do que as caracterizações unidimensionais e embrutecidas de “Batman – O cavaleiro das trevas ressurge” (2012) e “Batman vs. Superman: A origem da justiça” (2016). Ainda sobre a trama, as cenas na Zona Fantasma e as referências sutis a uma possível homossexualidade de Robin são outras boas sacadas que valorizam o ótimo texto de “Lego Batman”, que ao se juntar a uma precisa dinâmica narrativa e cenas de ação coreografadas com requintes fazem dessa animação um filme de super-herói muito superior a qualquer coisa que tenha saído das linhagens Marvel e DC nas telas em 2016.

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