quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Minha vida de Abobrinha, de Claude Barras ***

A escolha da técnica de animação de stop-motion não é gratuita dentro da particular concepção artística de “Minha vida de Abobrinha” (2016). Durante toda a narrativa, paira uma sutil ambiguidade na abordagem do diretor Claude Barras, em que uma trama envolvendo aspectos trágicos e de retrato de uma dura realidade social recebe um tratamento de certa leveza e ironia. Assim, a ambientação naif proporcionada pelo estilo gráfico do filme se mostra em sintonia com esse aparente contraste entre a temática da produção e a sua atmosfera. Na aparência, esse conceito narrativo estabelecido por Barras pode sugerir uma tentativa de amenizar traços de melancolia do filme. Na verdade, é justamente o contrário, pois as soluções formais e temáticas do cineasta revelam um caráter desafiador ao fazer com que a animação se afaste do melodramático e enverede por um sutil e comovente reflexão sobre a infância, o abandono e a amizade. Todos os dilemas dramáticos que se apresentam no roteiro são desenvolvidos e mesmo solucionados com naturalidade, enfatizando uma visão existencial de considerável grau de ousadia que mescla aceitação e tolerância. Ao lado desse forte discurso humanista, há também notáveis acertos narrativos e estéticos por parte de Barras como o grafismo simples e encantador, a carismática caracterização dos personagens e a bela trilha sonora baseada em temas folk e pop.

Um comentário:

Marcelo Castro Moraes disse...

Queria muito ver esse filme mas se encontra somente em um horário ingrato no itau cinema