quarta-feira, julho 11, 2018

Donnie Darko, de Richard Kelly ***


O título de grande referência cult cinematográfica que se atribui à “Donnie Darko” (2001) tem algo de exagerado. No cômputo geral, o filme dirigido por Richard Kelly é uma espécie de colcha de retalhos de influências das principais vertentes estéticas e temáticas do cinema independente norte-americano das últimas décadas. Estão lá a crítica entre o agridoce e o sarcástico aos valores do american way of life das principais obras de Sofia Coppola, o formalismo bizarro dos clássicos de Tim Burton, as ambientações delirantes características de David Lynch. Isso sem falar da esperta trilha sonora recheada de marcantes canções oitentistas pop e rock. Falta para esse trabalho de estreia na direção de Kelly uma pegada artística/narrativa mais ousada – as aparentes esquisitices que pairam sobre a encenação e roteiro aos poucos se formatam de maneira “redonda” demais, esvanecendo bastante do clima de mistério e estranhamento que predomina na metade inicial do filme. Ainda assim, “Donnie Darko” é uma obra que tem o seu lado cativante, principalmente em termos de caracterização de personagens e situações da trama. Mesmo que não seja especialmente original como um todo, a fluência da narrativa e algumas soluções visuais sardônicas (destaque para aquele coelho gigante escroto) oferecem para o longa alguns momentos memoráveis.

Um comentário:

Marcel de Castilho disse...

Gostei mais do roteiro depois que li algumas teorias: http://www.donniedarko.org.uk/explanation/