quarta-feira, agosto 01, 2018

Giselle, de Victor Di Mello ***


Expressivo exemplar do exploitation brasileiro, “Giselle” (1980) é uma obra que tem até alguns aspectos datados em termos narrativos, mas que mesmo assim consegue impressionar nos dias de hoje. Certas nuances temáticas e estéticas remetem muito ao cinema intimista de Walter Hugo Khouri, só que com uma preponderância ainda maior para o erótico e o grotesco. Sugerem ainda uma espécie de leitura sócio-política da época, principalmente no que diz respeito à repressão do regime militar e os conflitos ideológicos, além de uma visão irônica sobre os costumes da burguesia nativa. Por vezes, tais pretensões artísticas existenciais trazem um caráter perturbador para a obra, em outros momentos apenas resvalam no superficial e no oportunista. O que fica de memorável realmente nesse longa dirigido por Victor Di Mello é no acentuado fator de violência e sexualidade gráficas que inundam a tela em algumas sequências. Pode-se acusar o filme de várias coisas, até de um certo apelo preconceituoso que seria quase impensável no cinema contemporâneo, mas pelo menos não se pode dizer que caia em concepções imagéticas e narrativas assépticas. Por mais desagradável e vulgar que sejam algumas de suas cenas, “Giselle” é o tipo de obra que se instaura de forma insinuante no imaginário do espectador.

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