quarta-feira, agosto 03, 2016

O bom gigante amigo, de Steven Spielberg ***1/2

Em um primeiro momento, pode-se pensar que “O bom gigante amigo” (2016) represente uma espécie de volta para uma zona de conforto criativa por parte de Steven Spielberg. Afinal, está dentro daquele gênero no qual ele teve um reconhecimento artístico e comercial mais amplo, o da aventura fantástica com toques sentimentais. Ainda assim, essa sua obra mais recente mostra que o diretor é ainda capaz de surpreender sua plateia. O grafismo expressivo e requintado dos efeitos digitais convivem de maneira harmoniosa com um senso narrativo preciso, típico das melhores produções dirigidas por Spielberg. Por vezes, o uso de tais trucagens é tão intenso que se tem a impressão de se assistir a uma animação digital, mas o que vale mesmo é aquilo que fica registrado no nosso imaginário, e nesse sentido “O bom gigante amigo” traz algumas sequências antológicas, principalmente aquelas em que o protagonista (Mark Rylance) corre entre o mundo real e àquele ao qual pertence. Spielberg consegue extrair também uma interação cativante entre o personagem principal e a garotinha Sophie (Ruby Barnhill), atingindo em determinados momentos uma carga dramática convincente e encantadora. A caracterização dos gigantes oponente de BGA é outro ponto forte da obra, conseguindo-se uma bela síntese entre o assustador e o engraçado. Num contexto geral, é um filme que valoriza a construção de uma atmosfera original e inquietante entre a fábula moral e a galhofa grotesca que valoriza o roteiro de tons infantis, mostrando que Spielberg está bem longe de apenas requentar clichês narrativos e temáticos.

2 comentários:

Marcelo Castro Moraes disse...

A sensação de que o filme foi saído dos anos 80, mas formado pelos melhores efeitos visuais de hoje.

Nicolas disse...

Não gostei.
Assim como o oráculo Martim.
Mentira, nem vi.