quarta-feira, março 23, 2016

Zootopia, de Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush ***1/2

Pelo menos em termos temáticas, as animações dos Estúdios Disney têm se mostrado diversificadas, conforme pôde ser visto em tramas versando sobre mitologia vodu (“A princesa e o sapo”), recriação de fábulas clássicas (“Enrolados”), homenagem/ironia com o universo dos video games (“Detona Ralph”), reconfigurações de princesas e príncipes (“Frozen”) e absorção de elementos de mangás e animes (“Operação Big Boy”). E com o importante detalhe de sempre preservar uma expressiva qualidade narrativa e estética que os coloca junto a filmes da Pixar num patamar diferenciado no gênero. Em “Zootopia” (2016), tanto esse padrão de qualidade quanto a escolha de uma temática insólita permanecem de maneira expressiva. Essa nova produção apresenta uma contundente síntese de personagens antropomorfizados, roteiro evocando elementos de cinema noir e sutil crítica social e comportamental, e de todas as produções recentes citadas da Disney talvez seja aquela que tenha uma abordagem mais universal na capacidade de agradar conjuntamente crianças e adultos (e sem precisar apelar para psicologismos de araque e autoexplicativos de “Divertida mente”). Além disso, o grafismo de “Zootopia” é espetacular na combinação entre uma estilização de conceituação visual “fofinha” e toques de animação realista, conseguindo configurar uma ambientação bastante particular no seu detalhismo cênico. Toda essa abordagem formal se mostra em fina sintonia com uma trama com ares de sofisticação na caracterização dramática de seus principais personagens e nos desdobres da história, especialmente em nuances de dilemas e conflitos que evocam questões espinhosas como preconceito e determinismo social. Há também as doses certas de sequências ação bem dirigidas e as citações culturais bem humoradas que dão aquele caráter de narrativa envolvente para a produção.

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