Não dá para negar que a pretensão de Ruben Fleischer em
“Caça aos gângsteres” (2012) não tenha sido grande. Sua proposta de
revitalização do gênero dos filmes de gângsteres parte de uma aposta na forte
estilização temática. Assim, o roteiro da produção é um pastiche simplificado
de literatura noir, não havendo uma trama tão bem lapidada quanto, por exemplo,
aquela do extraordinário “Los Angeles: Cidade proibida” (1997). Por vezes, a
opção estética de Fleischer apresenta alguns resultados expressivos, tanto pela
direção de arte que beira o irreal no sentido da recriação de uma Los Angeles
dos anos 40 que é puro imaginário quanto pelo uso em profusão de modernosas
filmagens em câmera lenta (que estão muito mais para “Matrix” do que para os
clássicos de Sam Peckinpah). Outra bela sacada do diretor está no seu elenco,
em performances que enveredam pelo icônico, deixando de lado grandes
profundidades psicológicas. Nesse sentido, o grande destaque é Josh Brolin, que
com seu rosto de pedra mostra ter nascido para fazer o papel do tira durão e
inflexível – aliás, o efeito de vê-lo contracenar ao lado de Nick Nolte é
desconcertante, pois é como se enxergasse a mesma pessoa em dois papéis (ou
épocas) diferentes.
As soluções narrativas e formais de Fleischer fazem supor
que sua intenção era a de fazer um “Os intocáveis” (1987) para o século XXI. E
é justamente aí que residem os problemas de “Caça aos gângsteres”. Afinal,
Fleischer é um bom diretor, mas está muito longe do gênio virtuosista de Brian
De Palma. O frustrante clímax final da obra mais recente é a evidência perfeita
dessa constatação – os tiroteios são espetaculosos e barulhentos, mas são
normais, quase burocráticos, não chegando nem perto daquela orgia visual que representa
a clássica seqüência do tiroteio no metrô do clássico de De Palma. E mesmo o
duelo final a socos entre John O’Mara (Brolin) e Mickey Cohen (Sean Penn) se
mostra tão pouco imaginativo a ponto de soar irrelevante. Ou seja, no final das
contas, “Caça aos gângsteres” é até um bom filme, mas se o espectador quiser
algo recente no gênero efetivamente memorável, o melhor é ver ou rever “Os
infratores” (2012), pérola dirigida por John Hillcoat.
Nenhum comentário:
Postar um comentário