segunda-feira, junho 16, 2014

O mestre das ilusões, de Clive Barker **1/2


Quando lançou “Hellraiser” (1987), o escritor e cineasta Clive Barker formatou algo de diferente no gênero horror, combinando um grafismo exagerado de muito sangue e vísceras com uma estranha atmosfera baseada na dicotomia prazer e dor. Ninguém conseguiu fazer algo semelhante, nem mesmo o próprio Barker nas inevitáveis continuações da franquia. “O mestre das ilusões” (1995) representa mais uma das tentativas de Barker em fazer algo de relevante no âmbito do terror cinematográfico. Ele insere no roteiro algumas referências a cinema noir, com um detetive de passado obscuro e conturbado, na linha de um John Constantine menos cool e mais apalermado, que investiga um estranho caso envolvendo a morte de um mágico e uma seita de adoradores de demônios. A diversidade de elementos, entretanto, não faz com que a narrativa fuja de alguns clichês incômodos e burocráticos – há algumas boas soluções estéticas, mas no geral a obra se conduz por uma concepção tão formulaica que pouco lembra aqueles climas de sexualidade distorcida e escatologias de “Hellraiser”. Por vezes até consegue ser divertido, mas nada que seja especialmente memorável para os apreciadores do gênero.

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