quarta-feira, julho 15, 2015

Vida de casado, de Ira Sachs ***


O modus operandi do diretor Ira Sachs é simples e eficiente nas suas intenções e resultados. Na superfície, seus filmes enveredam pela estrutura do melodrama tradicional. Com o desenvolver da narrativa, toques irônicos e por vezes até perversos configuram contundentes e amargos contos morais. Tal estilo particular se cristalizou de forma bastante consistente em “Deixe a luz acesa” (2012) e “O amor é estranho” (2014). Em “Vida de casado” (2007), um de seus primeiros trabalhos, ele já insinuava de forma expressiva suas concepções artísticas. O roteiro estabelece alguns motes básicos e aparentemente até banais, centrando a trama em temas típicos como insatisfação matrimonial e traições conjugais. São em sutis e desconcertantes detalhes, entretanto, que essa produção se diferencia. Sachs opta por atmosfera e formalismo que evocam uma estilização entre o nostálgico e o sensual. Nesse sentido, o trabalho de direção de arte valoriza de maneira minuciosa o imaginário que se tem sobre os anos 50. Essa estética é a moldura mais que adequada para os conflitos e dilemas morais que rondam a trama, uma espécie de inventário das hipocrisias sexuais e sentimentais da classe média norte-americana na época. Sachs se permite algumas ousadias desconcertantes nas soluções de sua história, em que cenas habituais de descaminhos amorosos convivem naturalmente com preceitos do gênero suspense, fazendo de “Vida de casado” uma engenhosa crônicas de costumes da sociedade ocidental.

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