terça-feira, julho 03, 2007

Borat, de Larry Charles ****


O grande barato de “Borat”, além da genial capacidade em obter situações constrangedoras e hilárias de Sacha Baron Cohen, é a forma com que o diretor Larry Charles pega uma série de seqüências cômicas pautadas pelo improviso e pela anarquia e dá uma unidade e coerência narrativa impressionante, fazendo com que o filme, no meio de uma impressionante sucessão de momentos de puro pastelão escatológico, tenha uma lógica muito bem focada, lembrando nesse sentido o melhor da produção do Monty Python. Assim, talvez seja muito fácil numa primeira impressão se ter a idéia de que o filme seja apenas uma coleção solta de piadas politicamente incorretas. Uma observação mais atenta, entretanto, revela uma obra com um caráter fortemente humanista. Afinal, Borat consegue colocar suas “vítimas” em situações tão desconcertantes que as mesmas acabam revelando com muito mais crueza e sinceridade a verdadeira alma da sociedade norte-americana, algo que muitas produções pretensamente sérias, como “Fahrenheit 11 de Setembro” de Michael Moore, não conseguiram chegar nem perto.

Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney ***1/2


Existem alguns filmes que geram toda uma série de comentários mais sobre questões extra-cinematográficas do que propriamente sobre os seus méritos artísticos. “Boa Noite e Boa Sorte” é um desses casos. Em 2006, resenhas e comentários colocavam que se tratava de uma obra “corajosa” por fazer uma analogia entre o mccarthismo e a atual Era Bush. Puro exagero. O filme não traz nada de novo ao tema e nem é tão questionador assim, sendo a típica produção pretensamente “política” que o povo politicamente correto adorar assistir para se sentir “transgressor”. Quem quiser assistir filmes políticos realmente inquietantes deve ir atrás de obras como “A Classe Operária Vai ao Paraíso”, de Elio Petri, ou “Z”, de Costa Gavras, filmes esses que são rebeldes até na própria estrutura narrativa. Isso não quer dizer necessariamente, entretanto, que “Boa Noite e Boa Sorte” seja um mau filme. Muito pelo contrário. Mesmo não tendo a mesma criatividade estética e narrativa de “Confissões de Uma Mente Perigosa”, a altamente promissora estréia de George Clooney como diretor, “Boa Noite e Boa Sorte” tem momentos de alto nível cinematográfico, principalmente pelo interessante trabalho de fotografia e edição que mistura a recriação de época com imagens de arquivo até um ponto que fica difícil distinguir onde começa uma e termina a outra. Além disso, Clooney consegue extrair de um roteiro quase minimalista algumas fortes seqüências de tensão, também sabendo aproveitar com precisão as interpretações econômicas e sutis da maioria do seu elenco (com claro destaque para David Strathairn, Patricia Clarkson e Robert Downey Jr.- este último, aliás, o melhor ator norte-americano em atividade, ao lado de Mark Ruffalo).

This Is Spinal Tap, de Rob Reiner ****



Você é ou já foi fã de alguma banda psicodélica oportunista ou de algum ridículo grupo de hard rock farofa? Ou você é o pai desesperado e ranzinza de algum garoto louco por esse tipo de coisa? Bem, seja qual a opção em que estiver enquadrado o fato é que você de alguma forma não vai conseguir ficar impassível e não dar algumas boas gargalhadas com This Is Spinal Tap, um delicioso e hilário falso documentário que aborda a trajetória acidentada de uma banda fictícia chamada Spinal Tap. Todos aqueles clichês básicos das histórias das mais clássicas bandas de rock estão presentes: mudanças esdrúxulas de estilo musical de acordo com a moda, namoradas que influenciam nas decisões, empresários picaretas, discussões ególatras entre os músicos, figurinos de gostos duvidosos, shows pretensamente apoteóticos, turnês em lugares insólitos para revitalizar a carreira da banda. E tudo isso é temperado com uma tremenda ironia no genial tratamento “realidade de mentirinha” que o diretor Rob Reiner oferece para o filme. É de ressaltar, entretanto, que o espírito gozador do cineasta ao mesmo tempo tem embutido uma inusitada dose de carinho na forma com que a banda é retratada. Ou seja, mesmo com todo o ridículo das situações, nós não conseguimos deixar de simpatizar e até mesmo curtir pra caramba o som dos caras. E não seria justamente essa contradição entre amor e repulsa que torna o rock tão fascinante?

O Ritmo de Um Sonho, de Craig Bewer ****


Nos últimos anos, filmes tendo o gênero musical rap como tema principal das suas tramas se proliferaram pelas telas do mundo inteiro (podendo-se se destacar nessa leva o forte 8 Mile – Ruas das Ilusões, de Curtis Hanson). Mas o grande destaque nessa linha de filmes é sem dúvida O Ritmo de Um Sonho, contundente produção norte-americana que tem como protagonista o carismático gigolô e traficante Djay (Terrence Howard), um marginal que encontra no ato de compor e cantar uma possibilidade de dar uma reviravolta na sua vida. Não é de se esperar, entretanto, mais uma manjada produção no estilo “você pode superar tudo se quiser”. Na trajetória de Djay, não há soluções mágicas para os seus problemas e nem transformações radicais de personalidade. A dureza e sordidez de sua vida como meliante estão presas na sua própria personalidade e se refletem de forma magnífica na sua música. Além dessa visão lúcida e madura sobre a vida do seu protagonista, o cineasta Craig Bewer absorve e remodela com maestria influências da estética suja e dinâmica do blackexploitation, gênero típico dos anos 70 com produções baratas e divertidas que eram totalmente voltadas para o público black. Mas isso não tira o caráter universal de O Ritmo de Um Sonho, e o resultado acaba sendo um dos melhores filmes dos últimos anos e que acabou rendendo o Oscar de melhor canção para a memorável “It’s Hard Out Here For a Pimp” e uma indicação para o prêmio de melhor ator para Terrence Howard.

Filmes das Últimas Semanas (Cotações de 0 a 4 estrelas)


O Céu de Suely, de Karim Aïnouz ***1/2
Inferno, de Danis Tanovic ***
Caparaó, de Flávio Frederico **
Fome Animal, de Peter Jackson ****
Pai e Filho, de Aleksandre Sokurov ****
Tarnation, de Jonathan Caouette ****
Lilian M: Relatório Confidencial, de Carlos Reichenback ****
13 Homens e Um Novo Segredo, de Steven Soderbergh ****
O Ritmo de Um Sonho, de Craig Brewer ****
This Is Spinal Tap, de Rob Reiner ****
O Homem Que Odiava as Mulheres, de Richard Fleisher ****
A Moça Com a Valise, de Valerio Zurlini ****
Beavis e Butthead Detonam a América, de Mike Judge e Yvette Kaplan ****

terça-feira, junho 12, 2007

Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 estrelas)


Não Por Acaso, de Phillippe Barcinski **1/2
Princesas, de Fernando León de Aranoa ***
Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias ***
Zodíaco, de David Fincher ****
O Homem Duplo, de Richard Linklater ****
Cronos, de Guillermo Del Toro ****
Nightmare, de Freddie Francis ***
The Changeling, de Peter Medak ***
Maléfique, de Eric Valette ***
O Fantasma de Kasane, de Nobuo Nakagawa ***1/2
Cotton Club, de Francis Ford Coppola ****
Visões, de Oxide Pang Chun e Danny Pang **

segunda-feira, junho 04, 2007

Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood



Confesso que estranhei a preferência da maioria das pessoas em relação à “Cartas de Iwo Jima” do que “A Conquista da Honra”, os dois filmes que Clint Eastwood realizou mostrando o conflito armado entre norte-americanos e japoneses na ilha de Iwo Jima sob duas óticas diferentes. Não que “Cartas de Iwo Jima” não seja um bom filme: o clima fortemente tenso de algumas cenas, a rigorosa e bem azeitada recriação das batalhas entre os dois exércitos e o lúcido questionamento sobre o inflexível código de honra dos militares japoneses fazem do filme um espetáculo cinematográfico de grandeza inquestionável. Deve-se considerar, entretanto, que “Cartas de Iwo Jima” em alguns momentos resvala num certo academicismo excessivo, e mesmo o foco constante sobre a validade da defesa do árido território da ilha torna o filme um pouco cansativo e solene demais em determinadas seqüências. Não há aquela magnífica alternância de passado e presente que permeia toda a metragem de “A Conquista da Honra” e nem a ambivalência da oposição entre heroísmo e desmistificação que é o cerne desse último.

A verdade é que “Cartas de Iwo Jima”, assim como no superestimado “Menina de Ouro”, apesar de ser um ótimo filme, deixa essa leve impressão de decepção porque sempre esperamos muito de Clint Eastwood, um cineasta que já nos ofereceu inesquecíveis obras primas como “O Imperdoáveis”, “Sobre Meninos e Lobos” e “Um Mundo Perfeito”.

Alta Freqüência, de Gregory Hoblit ***


“Alta Freqüência” está muito longe de ser uma obra revolucionária ou genial. É apenas uma empolgante ficção científica. E nos dias atuais, em que se costuma cultuar bunda-molices como “Babel” ou “Amelie Poulain”, não deixa de ser um pouco transgressor um diretor fazer um filme que quer apenas contar uma boa história e prender a atenção do espectador com boas seqüências de pura tensão. A trama simples de um rapaz que consegue se comunicar com seu falecido pai através de um rádio transmissor que é uma ponte entre passado e futuro acaba cativando pela honestidade e objetividade de suas intenções. E Dennis Quaid está no ápice das suas atuações tipicamente boa-praça: o cara parece que nasceu para esse tipo de filme. A vida para apreciadores de cinema seria bem melhor se chegassem mais nas telas produções despretensiosas e imaginativas como esse “Alta Freqüência” do que obras pretensamente “sérias” e “edificantes” que tanto assolam as salas...

Filmes da Semana (cotações de 0 a 4 estrelas)


Extermínio 2, de Juan Carlos Fresnadillo ****
Alpha Dog, de Nick Cassavetes ***1/2
Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho ****
Sou Feia, Mas To na Moda, de Denise Garcia ***1/2
Ventos da Liberdade, de Ken Loach ****
Nascidos em Bordéis, de Zana Briski e Ross Kauffman **
Godfathers And Sons, Marc Levin ***
Piano Blues, de Clint Eastwood ***1/2

quarta-feira, maio 30, 2007

Filmes da Semana


Escola de Idiotas, de Tod Phillips ***
A Grande Jornada, de Raoul Walsh ***1/2
O Último Pistoleiro, de Don Siegel ****
A Montanha Sagrada, de Alejandro Jodorowsky ****
Mundo Cão, de Gualtiero Jacopetti ***1/2
Gaviões e Passarinhos, de Pier Paolo Pasolini ***1/2

quinta-feira, maio 24, 2007

Vermelho Como o Céu, de Cristiano Bortone **1/2


Essa produção italiana de 2004 apresenta uma trama curiosa baseada em fatos reais: menino do interior fica cego em um acidente, é enviado para uma escola de deficientes visuais e lá acaba desenvolvendo um gosto especial para fazer filmes. O diretor Cristiano Bortone consegue oferecer alguns bons momentos para o espectador, principalmente na bela fotografia que registra os campos do interior italiano e em algumas seqüências que mostra o protagonista e seus colegas fazendo os tais filmes. Mas “Vermelho Como o Céu” não consegue ir mais além do que isso. Algumas passagens que evidenciam a inocência infantil até têm um certo encanto. Entretanto, acaba sendo muito pouco diante das possibilidades promissoras que um argumento como o do filme fazia pressupor. A ousadia do protagonista mirim parece não tem contagiado Bortone, que optou por apenas realizar uma obra excessivamente convencional.

Terra Fria, de Niki Caro **

O que mais se ouve dizer sobre “Terra Fria” é que esse é um filme “corajoso” por mostrar com realismo questões importantes como violência doméstica, machismo, preconceitos, etc. Isso até chega a ser verdade, mas dá para dizer que devido a esse fato o filme é bom? Não necessariamente. Por mais que possamos ficar impressionados em alguns momentos pela crueza com que “Terra Fria” aborda a sua temática, a sensação que ficamos em boa parte do filme é de puro marasmo. A diretora Niki Caro faz um registro burocrático e sem alma de uma história que pede uma visão mais visceral. Há até algumas belas tomadas da região de Minnesota, mas é muito pouco para tirar “Terra Fria” do mero lugar comum. E a “grande interpretação” tão comentada de Charlize Theron no papel principal se limita a não parecer tão gostosa como geralmente ela é.

terça-feira, maio 22, 2007

Ellektra, de Rudolf Mestdagh ***1/2



Essa produção belga de 2004 é surpreendente em alguns aspectos. O diretor Rudolf Mestdagh cria climas quase surreais em algumas seqüências, além de revelar uma fina ironia em algumas cenas que surpreendem pela violência e escatologia. Além disso, a progressão da trama “Ellektra” causa uma permanente sensação de estranheza para o espectador. É como se fôssemos preparados para assistir uma obra fortemente marcada pela temática da vingança, mas com o tempo a história vai se convertendo de uma forma coerente e original para uma exaltação à tolerância. É claro que os mais cínicos podem ficar decepcionados com a conclusão proposta por Mestdagh, mas a mesma acaba tendo um impacto considerável. Além disso, “Ellektra” oferece belos momentos envolvendo realidade virtual, abordando a mesma sob um ângulo diferenciado.

Van Helsing, de Stephen Sommers *


Se fôssemos colocar no papel, “Van Helsing” seria um filme altamente promissor. Afinal, junta o personagem título (um dos mais carismáticos da história do horror no cinema e na literatura) a uma trama que reúne algumas das principais figuras do universo fantástico (Drácula, Frankenstein e lobisomens), além de contar com a produção de um estúdio de primeira linha. O resultado, entretanto, fica muito aquém das expectativas. Pensado como uma combinação de terror e aventura, “Van Helsing” não assusta quando deveria ser apavorante e não empolga com as suas seqüências de ação. A verdade é que Stephen Sommers foi uma escolha equivocada para o filme. Ele é um cineasta que carece de estilo e brilhantismo, sendo que temos a permanente sensação ao assistir “Van Helsing” que ele nunca viu um filme de horror na vida. Isso fica mais evidente quando assistimos outras produções recentes do gênero terror como “Terror em Silent Hill”, de Christopher Gans, e “Viagem Maldita”, de Alexandre Aja, obras que combinam com habilidade várias referências e clichês do horror e trazem simultaneamente uma visão particular e original dos seus respectivos diretores.

No mais, Hugh Jackman no papel de Van Helsing parece ter esquecido que não está mais encarnando Wolverine, fazendo-nos ficar com saudade das memoráveis caracterizações de Peter Cushing e Anthony Hopkins para o mesmo personagem.

Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 estrelas)


O Sabor da Melancia, de Tsai Ming-Liang ****
Hannibal – A Origem do Mal, de Peter Webber ***
Hércules 56, de Sílvio Da-Rin ***
O Tigre e a Neve, de Roberto Benigni **1/2
Cão Sem Dono, de Beto Brant e Renato Ciasca ***1/2
Somente Deus Por Testemunha, de Roy Ward Baker ***1/2
Earth vs. The Flying Saucers, Fred Sears ***
Kill, Baby, Kill, de Mario Bava ****
Feast, de John Gulager ***
Breaking News – Uma Cidade em Alerta, de Johnny To ****
King Kong contra Godzilla, de Ishiro Honda ½ (meia estrela)
O Cristal Encantado, de Jim Henson e Frank Oz ***1/2
Sombras do Terror, de Roger Corman ***

quarta-feira, maio 16, 2007

Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr. ***1/2



Tenho observado uma tendência atual do cinema brasileiro na realização de documentários focando nomes expressivos da música brasileira. A qualidade artística dos mesmos varia entre o bom (“Cartola”, “Coisa Mais Linda”) e o excepcional (“Doces Bárbaros” e “Moro no Brasil” – se bem que esse último foi dirigido por um finlandês...). Independente disso, entretanto, é extremamente salutar esse resgate do melhor que já produzimos em termos musicais não só para velhos apreciadores como também para aqueles que desconhecem alguns dos tesouros da MPB. Nesse sentido, “Fabricando Tom Zé” consegue conciliar esses aspectos: é exemplarmente didático ao detalhar a carreira do genial músico baiano e também está em perfeita sintonia criativa com a concepção anárquica de arte de Tom Zé. O cineasta Décio Matos Jr. evidencia para o espectador muito dos aspectos complexos e contraditórios da carreira e da música de Tom Zé, mostrando como ambas estão intrinsecamente ligadas. O diretor não cai na armadilha fácil de vitimizar ou louvar excessivamente a figura do músico, mostrando com sensibilidade a sua dimensão humana, com o próprio Tom Zé em vários momentos dando depoimentos desconcertantes em que desmistifica a própria arte. Além disso, “Fabricando Tom Zé” é recheado de ótimos registros de shows do artista em questão, mostrando a estranha junção entre vanguarda e popular tão típica da música do Tom Zé. Certamente quem não conhecia muito bem o cara depois de assistir o documentário em questão vai correr atrás de discos fantásticos como “Todos os Olhos”, “Estudando o Samba” ou “Com Defeito de Fabricação”.

Scoop - O Grande Furo, de Woody Allen ****



Como em todos os filmes desses últimos anos de Woody Allen, “Scoop” não apresenta qualquer novidade dentro do universo do diretor nova-iorquino. Ou seja, quem não gosta do cara continuará não tendo motivos para mudar de opinião. Talvez, entretanto, esse seja um dos grandes baratos do seu cinema. A obsessão de Allen em ficar retrabalhando os seus velhos cliclês revelam muito mais uma postura autoral coerente do que falta de criatividade.

Em “Scoop”, temos uma trama policial em tom de farsa que remete diretamente a outros filmes de Woody Allen como “Misterioso Assassinato em Manhattan” e “O Escorpião de Jade”, o próprio Allen no eterno papel de mal-humorado sarcástico, a trilha sonora repleta de jazz, uma fotografia sóbria e elegante. O diretor pega todo esse material já tão conhecido do público e mesmo assim consegue dar uma abordagem vigorosa e refrescante. Por mais que estejamos acostumados com seu estilo, ainda sempre há algo que consegue nos surpreender, desde alguma brilhante tirada cômica de Sid Waterman (Woody Allen), o veterano e desastrado mágico metido a detetive, até a impagável gozação feita com a figura da morte, constantemente ludibriada pelo falecido jornalista picareta Joe Strombel (Ian McShane).

“Scoop” certamente não está no mesmo nível criativo de “Match Point”, o filme imediatamente anterior de Woody Allen. Mesmo assim, é uma obra de peso, figurando tranqüila entre as melhores produções exibidas este ano nos nossos cinemas.

Impulsividade, de Mike Mills ***1/2



“Impulsividade” pode geral algum preconceito pela sua origem. Afinal, faz parte do circuito independente norte-americano, que geralmente produz obras pretensiosas e chatinhas. A excelente trilha sonora, composta basicamente por belas canções da genial banda norte-americana The Polyphonic Spree (uma sensacional mistura de psicodelia e cantos de corais), pode acentuar mais essa impressão de que o filme esteja preso a este nicho. A verdade, entretanto, é que “Impulsividade” transcende muito ao mundinho indie. É um filme que impressiona pela crueza e sensibilidade com que aborda a sua temática, no caso, um jovem com distúrbios de hiper-atividade. O diretor Mike Mills evita as soluções fáceis, fazendo com que a trajetória de Justin Cobb (Lou Taylor Pucci) seja marcada por várias dificuldades e dilemas típicos de um adolescente tão complicado. Mesmo a forma com que as drogas estimulantes são mostradas revela uma franqueza admirável. E Mills também opta sabiamente por um estilo de filmas mais clássico, não caindo em uma edição video-clip tão comum para este tipo de produção e que com certeza banalizaria o seu filme.

Com a Bola Toda, de Rawson Marshall Thurber ****



É claro que “Com a Bola Toda” é uma comédia marcada por vários momentos grosseiros e escatológicos (todos magníficos, por sinal). Mas tentar reduzir o mesmo a um simples besteirol é um equívoco. Ao realizar um filme que tem como foco principal um torneio de queimada, o diretor Rawson Marshall Thurber obtém um resultado fabuloso. Ao mesmo tempo que as partidas da “modalidade” esportiva em questão são marcadas por um humor exagerado, é inegável que em tais momentos Thurber consegue obter uma dinâmica eletrizante, fazendo de “Com a Bola Toda” um dos melhores filme de temática esportiva dos últimos anos. E é claro que não dá para esquecer do genial documentário inserido dentro do filme, em que se ensina como se joga queimada, numa excelente sacanagem/homenagem a estética anos 50.

Por trás da sua comicidade escancarada e bufona, “Com a Bola Toda” traz nas suas entrelinhas uma ironia toda especial em relação a temas como superação pessoal e preconceitos em geral. O filme usa e abusa de clichês temáticos, mas também os subverte com um olhar ácido e bem humorado. Além disso, as interpretações de Ben Stiller e Vince Vaughn acentuam ainda mais o espírito anárquico do filme. Stiller é excessivo nos seus trejeitos e diálogos, mas essa atuação over cai como uma luva para White Goodman, o hilário e ridículo “vilão”, enquanto Vaughn está tão a vontade no papel do acomodado e boa praça Peter LaFleur que parece que nem está atuando.

Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 estrelas)



Ping-Pong da Mongólia, de Nig Hao ***1/2
Homem-Aranha 3, de Sam Raimi ***
A Grande Jornada, de Raoul Walsh ***1/2
Near Dark, de Kathryn Bigelow ***1/2
Kin-Dza-Dza, de Georgi Daneliya *1/2
Brainstorm, de Douglas Trumbull ***1/2
O Último Pistoleiro, de Don Siegel ****
Chino, de John Sturges ****

domingo, maio 13, 2007

Sombras do Passado, de Florian Gallenberger **



Filmes indianos não costumam chegar com muita freqüência aos nossos cinemas. Dessa forma, é natural que inicialmente uma obra como “Sombras do Passado”, apesar de dirigida por um alemão, chame a atenção. A direção de arte e a fotografia exploram com eficiência elementos culturais típicos da Índia, como comportamento, religiosidade, vestuário, arquitetura. Mas todo esse aspecto exótico parece mais um truque para impressionar olhos estrangeiros, pois na sua essência “Sombras do Passado” é um filme que frustra imensamente pelo seu convencionalismo formal e temático. É apenas mais uma história de amor proibido que não se diferencia em nada de outras milhares que assistimos nos cinemas. A condução do filme por parte do diretor Florian Gallenberger é tão burocrática que em alguns momentos temos a sensação de estar assistindo a uma novela da Globo.

Em momentos como esse é que se ressaltam ainda mais as qualidades de produções impactantes como “Apenas Um Beijo”, de Ken Loach, obra vigorosa que oferece uma abordagem muito mais vivaz e franca para o tema do amor proibido do que esse insosso “Sombras do Passado”.

Pixote In Memorian, de Felipe Briso, Gilberto Topczewski e Edu Abad **1/2


Se fôssemos fazer uma lista dos 10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, é quase certo que um dos escolhidos seria “Pixote”, de Hector Babenco. Nessa obra de 1981, Babenco dirigiu com maestria uma obra de forte conteúdo social, de expressivas tintas documentais, sem abrir mão de uma dinâmica cinematográfica notável que remetia até ao gênero policial. O documentário “Pixote In Memorian” pretende fazer uma revisão sobre o filme, abordando dois aspectos: os detalhes de sua realização e a vida do ator Fernando Ramos da Silva que interpretou o personagem-título.

A primeira parte do documentário é até bem sucedida. As entrevistas atuais com Babenco, atores e demais profissionais envolvidos na produção de “Pixote” (além de alguns admiradores ilustres como Caetano Veloso e Nick Cave) se entrelaçam com eficiência com imagens da época, oferecendo um panorama revelador não só da obra em questão como da própria dificuldade de fazer cinema no Brasil. Os depoimentos obtidos para o documentário impressionam não só pela emoção de alguns momentos como pelo bom humor de algumas declarações e “causos” contados.

É de se lamentar, entretanto, que essa inspiração da metade inicial de “Pixote In Memorian” não tenha se mantido na segunda parte do documentário. É claro que a história trágica de Fernando Ramos da Silva ainda é capaz sensibilizar, mas a forma com que a mesma é mostrada aborrece pelo tom meramente informativo e superficial com que é realizada.

Mesmo com essa irregularidade, “Pixote In Memorian” é um filme interessante no sentido de explorar um ramo pouco trabalhado dentro da produção documental no país que é contar a história do cinema brasileiro. Seria muito bom que aparecessem outras obras dispostas a dissecar alguns clássicos da cinematografia nacional.

O Enviado, de Nick Hamm *



É até meio difícil fazer um comentário sobre esse filme. O problema é que faz poucos dias que coloquei um post neste blog falando sobre “O Amigo Oculto”, sendo que os problemas que apontei nesse último são quase que os mesmos que observei nesse “O Enviado”. As duas obras, inclusive, contam com Robert De Niro em interpretações que certamente não entrariam na lista dos seus momentos mais expressivos. Para resumir, o que se pode dizer de “O Enviado” é que Nick Hamm não mostra o menor talento para o gênero horror. Os pretensos momentos de suspense são pífios, não apresentando qualquer tensão, enquanto que as seqüências mais explícitas (ou seja, aquelas que deveriam trazer violência, sangue e algumas escatologias) são tão comedidas a um ponto que beira o constrangedor. No final das contas, é apenas mais um filme medíocre e inspiração que não vai agradar aos fãs do terror e suspense e nem vai agradar aos neófitos em tais gêneros.

Feira das Vaidades, de Mira Nair ***



Esse drama de época baseado na obra literária homônima de William Makepeace Thackeray tem alguns aspectos bem interessantes. A começar pela requintada direção de arte que recria a Inglaterra do século XIX com uma riqueza de detalhes impressionante. A diretora indiana Mira Nair também consegue estabelecer um forte clima de sensualidade ao mostrar uma Inglaterra fascinada pelo encanto exótico da Índia colonial e também no focalizar a insinuante protagonista Becky Sharp (Reese Witherspoon). Nair também consegue desenvolver uma narrativa ágil, fazendo com nos interessamos pela trajetória conturbada de Becky, uma mulher que faz de tudo para ascender socialmente, mas que acaba esbarrando numa série de preconceitos e hipocrisias típicos da sociedade inglesa da época. O que não permite que “Feira das Vaidades” seja uma obra realmente acima da média, entretanto, é o fato de Nair acabar sucumbindo a pomposidade e ao convencionalismo que geralmente rondam o gênero do filmes de época. Falta também a “Feira das Vaidades” uma certa leveza irônica, presente no texto de Thackeray, que faz com que o filme caiu em alguns momentos num drama excessivamente sério, o que não combina muito com o espírito da obra.

Dia de Festa, de Toni Venturi e Paulo Georgieff ***1/2

Confesso que fui assistir “Dia de Festa” por questões puramente circunstanciais. Eu estava passando um domingo assistindo alguns filmes num festival que teve aqui em Porto Alegre nesse último verão, sendo que o filme em questão iria ser exibido antes de “Scoop” de Woody Allen. Era assistir “Dia de Festa” ou ficar umas duas horas matando tempo. Resolvi encarar o documentário, apesar de estar bem desconfiado, afinal o diretor Toni Venturi é o mesmo que fez o chato “Cabra Cega” e a temática não era das mais atrativas: um dia de ocupações simultâneas em alguns prédios de São Paulo por parte dos Movimento dos Sem-Teto. Vendo a produção em questão, entretanto, tive uma baita surpresa. Mesmo caindo no panfletário descarado, os diretores Toni Venturi e Paulo Georgieff realizaram uma obra ágil, marcada por um excelente trabalho de montagem que consegue conciliar com habilidade diversas ações (em essência, depoimentos, reuniões do movimento e as invasões em si) sem tornar a narrativa confusa. Em algumas seqüências, inclusive, “Dia de Festa” tem um pique de um verdadeiro filme de ação.

Independente da posição que possa ter em relação à questão do Movimento dos Sem-Teto, “Dia de Festa” é um filme que merece ser visto por suas inúmeras qualidades cinematográficas, coisa rara na decepcionante produção atual do cinema nacional.

terça-feira, maio 08, 2007

Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 Estrelas)


Dias Selvagens, de Wong Kar-Wai ****
Holywoodland, de Allen Coulter ***
Showgirls, de Paul Verhoeven ****
Gilda, de Charles Vidor ****
O Proscrito, de Howard Hughes e Howard Hawks **1/2

sexta-feira, maio 04, 2007

O Milagre do Candeal, de Fernando Trueba **


A marca autoral do diretor espanhol Fernando Trueba consegue ficar bem evidente em alguns momentos de “O Milagre do Candeal”, documentário realizado em Salvador, principalmente quando o cineasta retrata alguns números musicais. A força da música regional da Timbalada, associada com belas tomadas do bairro Candeal da capital baiana, tem um impacto considerável para o espectador. Ao invés de se concentrar em fazer um inventário musical da região, entretanto, Trueba quis mostrar o quotidiano dos moradores do local e os projetos sociais coordenados pelo músico Carlinhos Brown, fazendo com que “O Milagre do Candeal” em várias seqüências tenha o formato de uma espécie de propaganda institucional, tirando muito da espontaneidade e vivacidade oferecidos pelos números musicais citados acima. Se Trueba tivesse como único foco a riqueza musical mostrada no Candeal (muito superior às bobagens de axé que costumamos ouvir nas rádios e televisão) certamente teria conseguido um resultado muito mais satisfatório do que esse comercial politicamente correto que se converteu “O Milagre do Candeal”.

Mulheres Desesperadas, de Esmé Lammers **1/2


Filmes holandeses sempre me despertam atenção, pois fico esperando que possa aparecer mais um louco genial como Paul Verhoeven. Bem, esse não é o caso de Esmé Lammers, diretora desse “Mulheres Desesperadas”, mas mesmo assim o seu filme acaba se revelando uma diversão bem aprazível. A trama, quatro donas de casa que diante das dificuldades financeiras se transformam em assaltantes de banco, é meio banal e não há maiores ousadias em termos formais. Mesmo assim, o filme tem os seus atrativos: as quatro protagonistas são bem gostosinhas e há algumas seqüências realmente engraçadas. Se o espectador quiser mais que isso, entretanto, o melhor mesmo é esperar o novo do Verhoeven.

O Amigo Oculto, de John Polson ½ (meia estrela)


“O Amigo Oculto” é aquela típica produção de terror feita por pessoas que parecem não gostar do gênero em questão e para um público não muito afeito a filmes nessa linha. O resultado acaba sendo uma obra sem personalidade e brilho. A produção até pode ser bem cuidada, mas fica-se com a impressão de que falta tudo: tensão, alguma maior ousadia estética, sangue, um roteiro menos quadrado (francamente, a “surpresa” no final da trama está evidentemente anunciada lá pelo meio do filme), atores que não parecem estar ali apenas batendo ponto (nesse sentido, é desapontador ver um ator do nível de Robert De Niro participando de uma bomba dessas – chega até a ser compreensível porque ele passa o filme inteiro com aquela cara de desanimado). Na verdade, gostando ou não do gênero terror, “O Amigo Oculto” é uma decepção para qualquer platéia.

quinta-feira, maio 03, 2007

Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade ****

A primeira vez que assisti a adaptação cinematográfica de “Macunaíma” realizada por Joaquim Pedro de Andrade foi na televisão alguns anos atrás. É claro que na época gostei bastante do filme, mas só pude realmente ter uma dimensão da grandeza dessa obra recentemente ao revê-la este ano na tela grande de um cinema numa versão restaurada. Confesso que não li o livro original de Mário de Andrade, mas o engraçado é que assistindo ao filme não sentimos qualquer traço de uma herança literária. É como se tudo aquilo tivesse sido projetado originalmente mesmo para o cinema. A direção inspirada de Joaquim Pedro de Andrade dispensa formalismos acadêmicos e coerências narrativas e consegue dar à obra um delicioso clima anárquico e bem humorado. A seu favor, Andrade também teve uma direção de arte em estado de graça, que parte inicialmente de uma estética rústica e genialmente “mal feita” e chega a uma concepção delirante cheia de influências tropicalistas típicas dos anos 60 (e sem parecer datada), além de contar com um elenco repleto de interpretações marcadas por uma espontaneidade e ironia antológicas e que não caem em nenhum momento na empolação de literatura declamada ou teatro filmado.

No geral, ao se assistir essa cópia nova de “Macunaíma”, pode-se sentir um frescor e uma ousadia ausentes em 99% da produção nacional atual. É um filme que expões sem pudores e falsos intelectualismos as contradições de uma cultura que se alterna entre a sagacidade e a jequice. Essa visão não condescendente aliada à criatividade cinematográfica exuberante de Joaquim Pedro de Andrade fazem de “Macunaíma” uma obra muito mais atemporal que o próprio Cinema Novo.

Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 Estrelas)


300, de Zach Snyder **1/2
Marcello – Uma Vida Doce, de Mario Canale e Annarosa Morri ***
Lemming, de Dominik Moll ****
Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral ***
O Mundo em Duas Voltas, de David Shürmann **1/2
Eureka, de Shinji Aoyama ****
Safe, de Todd Haynes ****

quinta-feira, abril 26, 2007

Stoned, de Stephen Woolley ***1/2


À princípio, “Stoned” parece uma produção tipicamente sensacionalista. Afinal, focaliza os últimos dias da vida de Brian Jones, guitarrista fundador dos Rolling Stones, defendendo, inclusive, a polêmica versão de que o músico não teria morrido devido a uma overdose, como foi divulgado na época, mas sim assassinado por um pedreiro que trabalhava na sua bela casa de campo na época. O resultado final, entretanto, transcende a mera fofoca, sendo que “Stoned” se revela como uma obra que capta com sensibilidade e ironia não só a importância dos Rolling Stones, mas também o espírito de uma época (no caso, o fim dos anos 60).

Uma ótima sacada do diretor Stephen Woolley foi fazer com que o espectador contemple a trama sob o olhar de Frank Thorogood (Paddy Considine, num momento inspiradíssimo), o tal do pedreiro homicida. Thorogood, um tarefeiro bronco e conservador, ao trabalhar na residência de Jones (Leo Gregory, idêntico ao stone tanto no visual quanto nos trejeitos), vai ficando cada vez mais deslumbrando com o quotidiano hedonista do roqueiro, recheado de sexo e drogas. O próprio comportamento do pedreiro vai se alterando ao longo da história, com o mesmo ficando cada vez mais confuso e se enredando progressivamente na jornada auto-destrutiva de Jones. O choque entre dois indivíduos tão diferentes e o conseqüente entrelaçamento de suas vidas faz com que Woolley alterne a sua narrativa entre momentos crus (ao focalizar a rotina medíocre de Thorogood e a desestruturação pessoal de Jones) e seqüências de delírio visual relacionadas a orgias e uso de drogas.

Woolley também se revela como um conhecedor entusiasmado da história dos Stones. Em “Stoned”, passagens relevantes da história da banda (como a antológica passagem pelo Marrocos e o processo de desligamento de Jones do grupo) são focalizadas com paixão e um “didatismo” que chegam até a ser comoventes para os fãs não só da banda como de rock em geral.

Junto a obras recentes como “Johnny e June”, “A Festa Nunca Termina” e “Dreamgirls”, “Stoned” parece fazer um inventário do que melhor se produziu no rock e no pop nas últimas décadas, mostrando também como a vida e a mítica de alguns dos mais importantes artistas desses gêneros estão intrinsecamente ligados à música que esse pessoal produziu.

O Planeta Branco, de Jean Lemire, Thierry Piantanida e Thierry Ragobert ***


Este documentário francês sobre a vida selvagem no Ártico não traz muitas diferenças em relação àquelas produções sobre a natureza que passam seguido no Globo Repórter, Discovery Chanel ou Animal Planet. Mesmo assim, a beleza de algumas das imagens presentes em “O Planeta Branco” impressiona pela crueza e grandiosidade. O ambiente inóspito registrado no filme é mostrado de uma forma sem concessões para agradar o público em geral. Além disso, não houve a preocupação de tentar “humanizar” a fauna focalizada, não caindo, dessa forma, naquela besteira new age de “A Marcha dos Pingüins”.

Túmulo Com Vista, de Nick Hurran **1/2



Esta comédia britânica de 2002 é aquela típica produção cômica que chega seguido aos cinemas: engraçadinha, tira um leve sarro com a fleuma dos habitantes da ilha, tem algumas espertices que a diferencia das comédias norte-americanas e conta com um roteiro bem quadradinho. “Túmulo com Vista” é até bem feitinho e tem os seus momentos engraçados, mas nunca chega realmente a empolgar. Quem gosta de “O Barato de Grace”, “Simplesmente Amor” e afins pode assistir na boa “Túmulo Com Vista”. Já para quem tem um gosto mais exigente, entretanto, o negócio é ir atrás de algumas comédias britânicas geniais como “Quinteto de Morte” ou “Todo Mundo Quase Morto”.

quarta-feira, abril 25, 2007

Em Direção ao Sul, de Laurent Cantet ***



Mesmo não apresentando maiores arroubos em termos estilístico, “Em Direção ao Sul” é um filme que reserva algumas surpresas bem interessantes. Para começar, o cineasta Laurent Cantet não abre concessões na temática do filme, mostrando franqueza e naturalidade no seu roteiro que tem como premissa inicial o turismo sexual que mulheres norte-americanas e européias realizam numa praia paradisíaca do Haiti. A partir disso, Cantet retrata sem cerimônias uma nova forma do universo feminino em encarar a própria sexualidade. O diretor prefere uma abordagem desapaixonada, não caindo nas armadilhas fáceis da pura exaltação desse comportamento ou em criar conseqüências que representariam alguma espécie de castigo moral para as personagens. O que se nas entrelinhas na verdade no filme é como esse padrão de encarar as relações amorosas se choca com concepções antigas de paixões idealizadas e românticas, o que fica evidenciado no conflito entre a cética e irônica Ellen (Charlotte Rampling) e a sonhadora e carente Brenda (Karen Young). Nesse sentido, é provável que os admiradores de novelas televisivas ou daquelas comédias água-com-açúcar com a Meg Ryan fiquem chocados com a visão seca e ácida sobre o amor de “Em Direção ao Sul”. A cena, por exemplo, em que a cinqüentona Ellen enumera os motivos que a fazem não se casar impressiona pela acidez e crueza de seus comentários.


Laurent Cantet também consegue resultados muito bons na própria forma com que o Haiti é utilizado como pano-de-fundo para a trama, variando entre um registro de tons luminosos e sensuais para as seqüências de praia e um estilo quase documental ao focalizar a miséria e violência presentes nos momentos da história que se passam na cidade próxima ao litoral.

terça-feira, abril 24, 2007

Free Zone, de Amos Gitai *



Antes de comentar sobre “Free Zone”, tenho a dizer que sempre gostei dos filmes do cineasta israelense Amos Gitai. Produções como “Laços Sagrados”, “O Dia do Perdão” e “Kedma” são obras vigorosas no seu rigor estético e na visão contundente sobre questões problemáticas como fundamentalismo religioso e conflito entre árabes e judeus. Dessa forma, afirmo tranqüilamente que “Free Zone” é disparado o seu pior filme em todos os sentidos possíveis. Formalmente, é uma produção que parece preguiçosa, apoiando-se basicamente em planos seqüências sem maiores brilhos. A parte temática, entretanto, é ainda pior. Gitai tem a pretensão de fazer do seu roteiro uma espécie de metáfora da falta de entendimento entre árabes e judeus, mas a execução dessa idéia é completamente equivocada, pois as concepções ideológicas do diretor ficam tão explicitadas em situações e diálogos que acabamos tendo a sensação no final do filme que não sobrou qualquer espaço para reflexão sobre o que acabamos de assistir.

Acredito que o maior motivo para que “Free Zone” tenha dado tão errado é o fato de que Gitai desejou um caráter mais “acessível” para o filme (o que fica evidenciado pela presença de Natalie Portman em um dos papéis principais) e acabou sacrificando muito do seu estilo próprio de trabalhar em nome desse objetivo. O resultado é um filme sem personalidade e tremendamente enfadonho e que provavelmente não atraiu novas platéias e desagradou boa parte dos seus antigos admiradores.

Escola do Riso, de Mamoru Hosi ***1/2


Originalmente, “Escola do Riso” era uma peça teatral focada exclusivamente na figura de dois personagens, um censor e um escritor de comédias, tendo como pano de fundo histórico o Japão do período da II Guerra Mundial. A origem de dramaturgia até que fica evidente em alguns momentos da adaptação para as telas, mas o que realmente surpreende no filme em questão é o fato do diretor Mamoru Hosi ter conseguido dar um acabamento perfeitamente cinematográfico para o material que tinha em mãos, sem que a obra caia no puro teatro filmado. Mesmo com as maiorias das cenas filmadas numa sala e se utilizando ostensivamente de dois atores apenas (na pele dos personagens acima mencionados), Mamoru consegue obter um resultado fascinante, com fotografia e montagem criando climas que vão do opressivo ao cômico com uma naturalidade impressionante. Além disso, o cineasta preserva com sensibilidade a temática libertária da peça original, uma bela parábola sobre o conflito da criatividade artística e a repressão política, sem cair no panfletário e nem em sentimentalismos excessivos.

segunda-feira, abril 23, 2007

Antes Só do Que Mal Acompanhado, de John Hughes ***1/2


Esse é um típico clássico da Sessão da Tarde que parece que não perdeu nada do seu frescor inicial. Pelo contrário. O filme melhora a cada revisão, sendo que percebemos nessas oportunidades como John Hughes foi realmente um dos nomes mais representativos do cinema norte-americano dos anos 80 e 90. Em “Antes Só do Que Mal Acompanhado”, nada parece excessivo: a progressão da trama ocorre com uma naturalidade impressionante, com o relacionamento entre o metódico Neal (Steve Martin) e o anárquico Del (John Candy) se desenvolvendo e oscilando entre o conflito entre personalidades tão díspares e o sentimento de união que aos poucos vais se prevalecendo. Por mais clichê que possa parecer tal relacionamento, a verdade é que Hughes faz o mesmo funcionar de uma forma incrivelmente espontânea. Boa parte das seqüências cômicas representa algumas das mais engraçadas dentro das comédias típicas dos anos 80, e mesmo nos momentos fortemente sentimentais do filme o espectador não consegue ficar impassível (nesse sentido, é impossível negar que Del seja um dos personagens mais melancólicos da história recente do cinema).

A Vida Secreta das Palavras, de Isabel Coixet **1/2


Quando assisti ao trabalho anterior de Isabel Coixet, “Minha Vida Sem Mim” (2003), o que realmente me chamou a atenção foi o desempenho sensacional de Mark Ruffalo. No meio de uma obra apenas regular e até mesmo um pouco afetada, a atuação de Ruffalo dava uma surpreendente força para a narrativa, oferecendo tensão e paixão para uma trama que não oferecia maiores sobressaltos. E aí que se encontra o grande problema de “A Vida Secreta das Palavras”: não há nem mesmo um Mark Ruffalo para dar uma dimensão maior ao filme, além de trazer tudo aquilo que já desagradava em “Minha Vida Sem Mim” – a narração excessivamente literária e que explicita as razões da obra, a sensibilidade “fake” e sentimentalismos manipuladores, a atuação catatônica de Sarah Polley (e que aqui encontra um “par ideal” em Tim Robbins, num registro repleto de expressões apalermadas). Isso sem falar que o filme apresenta uma lógica masoquista/conservadora do tipo “eu te amo tanto pelo teu sofrimento” que chega a ser patética.

“A Vida Secreta das Palavras” não pode ser considerado um desastre por uma certa originalidade de Coixet em saber explorar as possibilidades visuais da plataforma petrolífera onde se passa boa parte da trama, sendo que a cineasta consegue obter algumas boas tomadas. Mas isso não chega a compensar tanto a irritação pela afetação chic de Coixet, típica de várias produções “sensíveis” desse começo de milênio.

Filmes da Semana (cotações de 0 a 4 estrelas)



Cartola, de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira ***
O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia ***1/2
Sunshine – Alerta Solar, de Danny Boyle ***1/2
Pepping Tom, de Michael Powell ****
Medo e Delírio em Las Vegas, de Terry Gillian ****
Wittgenstein, de Derek Jarman ***1/2
Crime à Meia-Noite, de Chester Erskine ***
Louca Escapada, de Steven Spielberg ****
American Pop, de Ralph Bakshi ****

quinta-feira, abril 19, 2007

Apenas Um Beijo, de Ken Loach ****


O comentário mais comum que aparece quando o nome do cineasta britânico Ken Loach vem à tona é o fato do mesmo colocar nos seus filmes temas de conteúdo social. É claro que isso é verdade, mas reduzir o referido diretor para apenas esse aspecto é injustamente reducionista. Afinal, Loach é um artista com um domínio impressionante da linguagem cinematográfica. Por mais espinhosos e crus que as temáticas dos seus filmes possam parecer, na grande maioria de tais produções sempre predomina uma narrativa ágil e repleta de momentos impactantes, tanto pela tensão de algumas seqüências quanto pelo humanismo e ternura de outras cenas.

Todo esse universo particular cinematográfico de Ken Loach está presente em “Apenas Um Beijo”, com o cineasta provando que sempre é capaz de surpreender o espectador. Isso fica perfeitamente evidente na abordagem franca e libertária que Loach tem sobre uma das premissas mais batidas na história do cinema: o amor “proibido” de um casal de namorados. No caso do filme, cuja trama se passa em Glasgow, a relação amorosa entre o muçulmano Casim (Atta Yaqub) e Roisin (Eva Bisthistle) é repudiada tanto pela família do rapaz quanto por parte do círculo de amizades e profissional da garota. O que impressiona na visão de Ken Loach, entretanto, é que o mesmo desconsidera a tradicional concepção “Romeu e Julieta” para esse tipo de trama, fazendo com que o seu par de protagonistas exponha o ridículo de preceitos religiosos e preconceitos sociais e raciais que parecem estar fora de sintonia com o mundo atual. Na conclusão de “Apenas Um Beijo”, Casim e Roisin simplesmente ignoram as velhacarias que se escondem sob o manto da “tradição” e do “respeitável” e ficam juntos, sem que seja necessário que o roteiro apele para uma tragédia ou algo parecido. Essa naturalidade com que Loach enquadra a história de amor do filme é fascinante, fazendo com que “Apenas Um Beijo” esteja a léguas de distância dos ideais ultrapassados de romantismo de séculos atrás e do sentimentalismo barato de novelas e afins, retratando tanto o amor como o próprio sexo num patamar muito mais de acordo e verdadeiro com o mundo contemporâneo.

A Grande Final, de Gerardo Olivares ***



Na tradição do cinema iraniano e outras cinematografias orientais contemporâneas, “A Grande Final” é uma obra que resgata alguns dos princípios básicos da escola neo-realista: registro visual com influências documentais, presença de atores amadores, temática de forte conotação social ou quotidiana. E apesar de não trazer grandes novidades, é um filme que encanta pelo surpreendente bom humor ao retratar o impacto da final da Copa do Mundo de 2002 em três localidades inóspitas e selvagens ao redor do mundo, sendo bem sucedido também ao conseguir retratar com fidelidade características marcantes de tais regiões como o preconceito racial, o fundamentalismo religioso e a vida nômade. O que surpreende o espectador, principalmente aquele ocidental, é o fato de que, dentro de uma aparente desorganização e desconforto e com pessoas que apresentam valores tão diferenciados, um evento como um jogo de futebol consegue mobilizar e até mesmo unir grupos de pessoas tão heterogêneos.

terça-feira, abril 17, 2007

Um Bando à Parte, de Jean-Luc Godard ****



O fato da produtora de Quentin Tarantino ter o nome de “Band à Part” representa muito mais que uma simples homenagem. Afinal, Tarantino talvez seja o cineasta que mais se aproxima do que representa o melhor do cinema de Jean-Luc Godard, cujo esse “Um Bando à Parte” é um dos grandes pontos altos da sua carreira.

Em “Um Bando à Parte”, tem-se o ápice da primeira fase da cinematografia de Godard, quando o conteúdo político não havia tomado conta da sua temática. Dessa forma, o cineasta usa e abusa do seu genial estilo original, onde combinava uma série de referências dos policiais B norte-americanos filtrados com uma ótica muito particular. Para Godard, muito mais importante do que os seus roteiros em si eram as possibilidades visuais e de edição que eles podiam proporcionar. Valoriza-se como nunca a estética dos movimentos (as “mortes” geralmente têm uma coreografia genialmente “fake”), além de um trabalho de montagem frenético e que até hoje é referência para diretores em todo mundo.

segunda-feira, abril 16, 2007

Noel – O Poeta da Vila, de Ricardo Van Steen ***



Essa cinebiografia de um dos maiores nomes da música brasileira é bastante irregular, principalmente em determinadas recriações dramáticas de eventos da vida do músico. Tais seqüências acabam parecendo forçadas e falsas demais, faltando uma maior fluência narrativa. Mesmo assim, “Noel – O Poeta da Vila” é uma obra que vale assistir, principalmente por alguns ótimos números musicais. Algumas composições inesquecíveis de Noel Rosa são bem valorizadas pela visão reverencial de Ricardo Van Steen, que consegue oferecer um contexto didático e ao mesmo tempo fortemente emocional para tais canções. Contribui também a boa atuação de Rafael Raposo no papel título, que consegue dar uma bela dimensão humana para o protagonista, fazendo com que o mesmo oscile com sensibilidade entre o cômico e o trágico.

Johnny e June, de James Mangold ***1/2



Lembro-me que ano passado, ao ouvir uma discussão sobre a premiação do Oscar de 2006, ouvi um comentário colocando que não se entendia por que “Johnny e June”, a cinebiografia do genial cantor de country e rock Johnny Cash, estaria entre os indicados à melhor filme devido ao fato de ser uma obra que não trazia grandes novidades. Ora, essa questão de originalidade do cinema é muito relativa. É claro que é extremamente salutar que surjam obras que tragam algum sopro de revitalização para o cinema, pois é isso que faz com que o mesmo continue relevante como meio de expressão. Ao mesmo tempo, entretanto, é impossível que surjam constantemente produções revolucionárias e que alterem radicalmente a estrutura das coisas. Ou seja, não dá para não gostar de um filme simplesmente porque o mesmo não abalou a história do cinema. “Johnny e June” não tem essa pretensão apoteótica. Sua intenção é oferecer uma visão humana sobre a história pessoal, com todas as suas glórias e contradições, de um dos maiores ícones da música norte-americana, e nisso o filme é bem sucedido. O diretor James Mangold não realizou uma obra que se dedica exclusivamente a tecer loas ou beatificar a figura de Cash. Muito pelo contrário. O filme mostra como a vida cheia de altos e baixos do cantor estava intrinsecamente ligada à própria música torturada e sombria do mesmo. O conjunto de fotografia, edição e direção de arte recriam com felicidade episódios memoráveis não só da trajetória do protagonista como também da música dos EUA dos últimos 50 anos, principalmente das gravações e excursões do impressionante elenco de roqueiros da mitológica Sun Records (Cash, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins) e o show realizado por Cash na Folson Prison, captando com sensibilidade o espírito de uma época. E é claro que não daria para esquecer de mencionar a fantástica seqüência em que Cash vai pela primeira vez na Sun e o dono da gravadora, o lendário Sam Phillips, pede para que ele toque a sua “verdade”, sendo que Cash lasca uma interpretação sentida e arrepiante de “Folson Prison Blues”. O resultado é de arrepiar a espinha.

Filmes da Semana (Cotações de 0 a 4 estrelas)

A Festa Nunca Termina, de Michael Winterbottom ****
As Férias de Mr. Bean, de Steve Bendelack ***
Porto Alegre – Meu Canto no Mundo, de Cícero Aragon e Jaime Lerner *1/2
O Crocodilo, de Nanni Moretti ***
E Agora Para Algo Completamente Diferente, de Ian MacNaughton ****
A Noiva do Demônio, de Terence Fisher ***
A Estranha Perfeita, de James Foley **1/2
Uma Sombra no Escuro, de David Hayman ***1/2
Riff Raff, de Ken Loach ****
Zoo – Um Z e Dois Zeros, de Peter Greenaway ****
39 Degraus, de Alfred Hitchcock ***1/2
Momento de Afeto, de Alan Rickman **1/2
Rebecca, A Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock ****

sexta-feira, abril 13, 2007

Uma Noite no Museu, de Shawn Levy **1/2

“Uma Noite no Museu” é aquele típico filme cuja idéia inicial é muito boa, mas que apresenta uma realização apenas mediana. O seu problema maior é um foco excessivamente convencional no estilo “filme família com lições de vida”. Dessa forma, limita-se o potencial de fantasia que a premissa inicial do roteiro cria. É claro que o filme não é um desperdício completo, principalmente por algumas empolgantes seqüências de ação e pelo desempenho divertido dos três vigias veteranos do museu do título. No final, entretanto, fica-se com a sensação de que “Uma Noite no Museu” poderia ter sido muito melhor sob a batuta de um cineasta mais ousado.

quinta-feira, abril 12, 2007

Furyo – Em Nome da Honra, de Nagisa Oshima ***1/2

Apesar das temáticas aparentemente diferenciadas entre si, “Furyo” traz muito de elementos já explorados em “O Império dos Sentidos”, obra-prima erótica também dirigida por Nagisa Oshima. Apesar de se passar em um campo japonês de prisioneiros de guerra, a preferência do cineasta recai não para o registro de conflitos bélicos, mas sim para as relações humanas entre prisioneiros ingleses e os militares japoneses. Da tensão homo-erótica entre o oficial Celliers (David Bowie) e o Comandante de Campo Yonoi (Ryuichi Sakamoto) à ambígua relação de admiração e desafio entre o líder do prisioneiros, Coronel John Lawrence (Tom Conti), e o sargento Gengo Hara (Takeshi Kitano), Oshima explora brilhantemente silêncios e momentos contemplativos com seqüência de uma violência seca e impactante. A música de Sakamoto sublinha as cenas de forma quase evocativa e etérea, aumentando ainda mais o clima de estranhamento. O curioso é que anos depois Oshima levou uma trama e abordagem semelhante para uma obra ambientada no Japão da época dos samurais, o forte “Tabu”.

No mais, é de se destacar ainda “Furyo” a ótima atuação de Takeshi Kitano (em sua estréia nas telas), numa performance que já trazia bastante da persona dura e ao mesmo tempo terna de filmes clássicos como “Sonatine” e “Hana-Bi”.

quarta-feira, abril 11, 2007

O Último Rei da Escócia, de Kevin MacDonald **1/2

Uma visão sobre o violento período em que Idi Amin governou Uganda é uma premissa que certamente despertaria interesse e criaria alguma expectativa para “O Último Rei da Escócia”, mas quem tem essa esperança poderá se decepcionar quando assistir ao filme. O diretor Kevin MacDonald é extremamente burocrático na condução da obra, preferindo se ater a uma concepção bem comportada e estereotipada dos fatos. Formalmente, não apresenta maiores ousadias, com exceção de alguns momentos na meia-hora final do filme em algumas seqüências de violência gráfica que chegam a lembrar Tony Scott. E a oscarizada e tão comentada atuação de Forest Whitaker na pele do ditador africano nem é todo esse bicho que se fala. Whitaker é apenas correto, com uma interpretação dramática mais preocupada em fazer mimetismos do que propriamente explorar nuances da figura de Idi Amin. No departamento “interpretação de figuras históricas”, o ator foi bem melhor sucedido na composição emocionante e visceral de Charlie Parker no belo “Bird” de Clint Eastwood.

segunda-feira, abril 09, 2007

Filmes das Últimas Duas Semanas (Cotações de 0 a 4 estrelas)

Atirador, de Antoine Fuqua ***1/2
Um Domingo em Kigali, de Robert Favreau ***
Container, de Lukas Moodysson ***1/2
Teu Nome é Justine, de Franco de Peña ***
Centroavante Nato, de Cláudio Guiducce ***1/2
O Verão do Meu Irmão, de Pietro Reggiani ***
Donovan O Fraco, de Kivmars Bowling *
A Rede, de Lutz Dammbeck ***1/2
Pasolini Ao Nosso Redor, de Giuseppe Bertolucci ***
Minha Viagem à Itália, de Martin Scorsese ****
A Traição, de Philippe Faucon ***
Diretor de Matrimônios, de Marco Bellochio ***1/2
Relógio Biológico, de Ricardo Trogi ***
Dirigido Por John Ford, de Peter Bogdanovich ****
A Razão de Um Sonho, de Laura Betti **1/2
São Ralph, de Michael McGowan **1/2
A Reeducação, de Davide Alfonsi, Alessandro Fusto, Daniele Guerrini e Denis Malagnino **1/2
Crepúsculo, de Ghasem Jafari *
Vítus, de Fredi Mürer **1/2
Flower e Garnet, de Keith Behman ***
A Estrela Que Falta, de Gianni Amelio ***1/2
Nascido e Criado, de Pablo Trapero ***1/2
Natureza Morta, de Jia Zhang-ke ***
Dong, de Jia Zhang-ke **
Manô, de George Felner *
A Revanche de Natal, de Pupi Avati ****
El Benny, de Jorge Luis Sánchez **1/2
Praia Marisco, de Jacques Martineau ***1/2
Gerrit Van Dijk: Documentário **1/2
Um Casal Perfeito, de Nobuhiro Suwa ***1/2
Todos os Dias Um Pouco, de Pedro Wallace ½ (meia estrela)
Em Outro País, de Marco Turco ***1/2
Segunda Lua-de-Mel, de Pupi Avati ****
A Entrevista, de Luc Picard ***
A Cor do Sacrifício, de Mourad Boucif **1/2
Todas as Cores do Amor, de Liz Gill ***
Uma História Diferente, de Marco Battaglia, Gianluca Donati, Laura Schimmenti e Andréa Zulini ***
A Noite do Senhor Lazarescu, de Cristi Puiu ****
Mortos de Riso, de Alex de La Iglesia ****