quarta-feira, agosto 01, 2012

Além do infinito azul, de Werner Herzog ***1/2


 O cinema do diretor alemão Werner Herzog costuma ser dividido em duas vertentes – ficções e documentários. Em ambos, o cineasta mantém a sua forte linha autoral, em uma abordagem formal e temática que varia estranhamente entre o naturalismo e o barroco. Em “Além do infinito azul” (2006), tal distinção fica difusa: há uma trama de ficção científica, de viés humanista, mas Herzog utiliza uma concepção estética que se baseia muito na montagem, misturando sem cerimônias uma encenação delirante com trechos de documentários. Tomadas marinhas são mostradas como se retratassem um outro planeta, resultando em seqüências de beleza perturbadora. Herzog sabe que o poder de seu cinema não está no “contar uma história”, mas sim no nível sensorial que suas imagens e sons podem alcançar. Nesse sentido, “Além do infinito azul” acaba sendo uma experiência inquietante dentro do imaginário cineatográfico.

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