terça-feira, agosto 13, 2013

Renoir, de Gilles Bourdos ***


Dá para traçar uma diferenciação existencial entre as respectivas artes de pai e filho Renoir. O pai Auguste, pintor expressionista, dava uma ênfase para aquilo que era belo e agradável aos olhos. Já o filho Jean, cineasta, teve como marca registrada em sua filmografia uma visão irônica, por vezes cínica, outras vezes amarga, das relações humanas. No tratamento formal de “Renoir” (2012), filme de conotação biográfica, parece que a preferência foi pela abordagem do patriarca. A fotografia luminosa, que valoriza tanto a beleza da natureza onde se situa o sítio do pintor, onde se desenvolve grande parte da ação, quanto a voluptuosidade do jovem corpo de Andrée (Christa Teret), modelo do artista, mostra uma espécie de sintonia espiritual com a própria técnica pictórica de Auguste (Michel Bouquet). Mas o filme não se resume a uma mera exaltação do belo e do bucolismo. Quando Jean Renoir (Vincent Rottiers) entra em cena, aparece também o elemento de tensão da produção, em que o idilismo estético de Auguste se confronta com a dura realidade da guerra que Jean traz no próprio corpo. Por mais que o envolvimento romântico entre Jean e Andrée prevaleça em alguns momentos, a realidade é que a tônica central do filme está no embate silencioso e sutil, mas contundente, entre pai e filho. Os diálogos entre eles trazem um rico subtexto que sintetizam de forma admirável os dilemas e contradições de uma época. Os apreciadores de cinema que esperam aquele espírito sardônico típico das produções mais estimadas de Jean Renoir podem se decepcionar, mas mesmo assim “Renoir” é uma obra que transcende o simples registro despersonalizado de fatos históricos.

Um comentário:

Marcelo Castro Moraes disse...

O filme é otimo e possui uma das mais belas fotografias do ano.