terça-feira, fevereiro 24, 2015

Miss Violence, de Alexandro Avranas ***


É quase natural relacionar a produção grega “Miss Violence” (2013) com a atual conjuntura conturbada social-econômica de seu país de origem. A temática que aborda uma família disfuncional em meio a episódios de incesto e prostituição e a estética baseada em um misto de realismo e violência gráfica berrante colaboram para essa analogia existencial. Com o desenrolar da narrativa, entretanto, essa relação vai se mostrando cada vez mais rarefeita. Isso porque a abordagem artística do diretor Alexandro Avranas vai abandonando maiores traços de sutileza e tensão psicológica e envereda para uma estética exagerada típica de um filme de horror. Boa parte dos personagens masculinos é mostrada de forma abjeta e animalesca, o sexo sempre é encenado em um contexto de degradação, situações envolvendo tabus morais se desenvolvem sob uma ótica que resvala no humor negro – nesse conjunto, acaba lembrando o polêmico “A serbian film” (2010). Esse gosto pelo excessivo por parte de Avranas pode retirar parte considerável da densidade dramática de “Miss Violence”, mas também é inegável que faz com que permeie no filme uma certa atmosfera entre o gótico e o barroco e que acaba remendo a produção em questão para um universo insólito que beira o fantástico.

Um comentário:

Marcelo Castro Moraes disse...

Um soco no estômago se resume esse filme