quinta-feira, agosto 25, 2011

Super 8, de J.J. Abrams ***1/2



A produção de Steven Spielberg em “Super 8” (2011) não é gratuita. O filme é um caldeirão de referências a vários clássicos oitentistas no gênero aventura, nicho esse no qual Spielberg foi o principal protagonista. A começar por “E.T.” (1982), cuja trama é a influência central do roteiro da obra mais recente de J.J. Abrams. Não à toa, a história se passa no final dos anos 70. Mas as pequenas homenagens que a produção contém não soam como um recurso meramente acessório. Abrams emula com competência o estilo de Spielberg, tanto em termos formais quanto temáticos. A direção de fotografia é luminosa e clara, com enquadramentos detalhistas que privilegiam a bem orquestrada encenação de perseguições e explosões (aliás, o acidente de trem no início do filme é um capítulo à parte em termos de ação cinematográfica). Mesmo os efeitos especiais digitais acabam ganhando um certo tom nostálgico, não tendo aquela caracterização típica de vídeo game. No conjunto geral estético, nem parece que a direção é do mesmo cineasta do tosco “Cloverfield” (2008).

A mais bela reverência de “Super 8” à Spielberg, entretanto, venha mesmo no seu roteiro. Além de reprisar alguns dos preceitos temáticos favoritos do veterano diretor (crianças como protagonistas, pais e filhos em conflito que buscam a conciliação, crítica à brutalidade dos adultos), um dos motes principais da trama, o divertido filme amador realizado pelos jovens personagens principais, é uma referência direta ao universo pessoal de Spielberg, que é conhecido pelo fato de em suas origens ter sido um entusiasmado cineasta amador.

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