
Boa parte de amigos e conhecidos costuma dizer que as minhas recomendações para filmes funcionam ao contrário: quando eu digo que o filme é bom é porque na realidade ele é uma bomba, e vice-versa. Aí a explicação para o nome do blog... A minha intenção nesse espaço é falar sobre qualquer tipo de filme: bons e ruins, novos ou antigos, blockbusters ou obscuridades. Cotações: 0 a 4 estrelas.
sexta-feira, julho 23, 2010
A Alma do Osso, de Cao Guimarães ***

quinta-feira, julho 22, 2010
A Porta, de Anno Saul ***

quarta-feira, julho 21, 2010
Robin Hood, de Ridley Scott ***

terça-feira, julho 20, 2010
Fúria de Titãs, de Louis Leterrier ***

segunda-feira, julho 19, 2010
Só Dez Por Cento é Mentira, de Pedro Cezar ***1/2

segunda-feira, julho 12, 2010
Antes Que O Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo **

Há uma sequência em “Antes Que O Mundo Acabe” (2009) que é sintomática do espírito da obra: o garoto Daniel (Pedro Tergolina), após levar um fora da namorada e descobrir que foi trocado pelo melhor amigo, toma um porre com alguns conhecidos e quando chega casa vomita na privada. Só que ele somente faz o barulho de estar vomitando, não saindo de sua boca qualquer traço do vômito, enquanto que na privada não há mancha ou sinal do mesmo. Esse tom de assepsia é predominante nessa produção gaúcha dirigida por Ana Luiza Azevedo. A pretensão era faz uma espécie de retrato da adolescência moderna, mas o desejo de buscar uma abordagem light acabou tirando muito da visceralidade que um filme como esse exigiria. Há uma densidade dramática rala, acentuada pela narração infantil da irmã do protagonista, em falas recheadas de “espertezas”. No mais, o que resta de relevante é uma fotografia agradável no registro luminoso de paisagens interioranas e rurais.
terça-feira, julho 06, 2010
Um Segredo em Família, de Claude Miller ***

segunda-feira, julho 05, 2010
Homem de Ferro 2, Jon Favreau ***

quinta-feira, julho 01, 2010
Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton **

quarta-feira, junho 30, 2010
Vidas Que Se Cruzam, de Guillermo Arriaga **
O que de início parecia um estilo vigoroso e original acabou se tornando um exercício narrativo formulaico e frouxo. É o que vem a mente quando se pensa na trajetória artística de Guillermo Arriaga, ainda mais depois de assistir a esse “Vidas Que Se Cruzam” (2008). O truque de narrar histórias paralelas, de difícil conexão aparente, que se entrecruzam e adquirem um sentido único surgiu de forma explosiva em “Amores Brutos” (2000), dirigido por Alejandro González Iñárritu. As produções seguintes da parceria Inárritu/Arriaga, entretanto, não causaram o mesmo impacto: “21 Gramas” (2003) e “Babel” (2006) aparentaram uma excessiva diluição no padrão formal e temático. Arriaga voltou a acertar a mão no ótimo “Três Enterros” (2005), mas a verdade é que os méritos do filme se concentram muito mais na direção segura de Tommy Lee Jones do que propriamente no roteiro. Assim, “Vidas Que Se Cruzam”, a estreia de Arriaga na direção, poderia marcar alguma renovação, mas não é o que acontece. A condução da narrativa é arrastada e pouco fluente e a trama arquitetada por Arriaga traz manjados dilemas já explorados anteriormente. De certa forma, é até irritante ver algumas tiradas moralistas disfarçadas de crises existenciais. Ou o que se pode achar da caracterização sórdida de uma personagem que faz sexo casual com frequência porque teve alguns graves traumas infantis?terça-feira, junho 29, 2010
Não Minha Filha, Você Não Irá Dançar, de Christophe Honoré ***1/2

sexta-feira, junho 25, 2010
Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow ****

Se nesses instantes da abertura Bigelow faz uma dissecação da ação, posteriormente ela fará com que as explosões sejam rápidas e brutais, experimentando com os limites do gênero dos filmes de guerra. O registro visual que faz da violência é ambíguo: em alguns momentos é naturalista e desglamorizado, em outros valoriza aspectos que beiram o épico e grandioso (principalmente pela extraordinária manipulação da trilha sonora). Além disso, a pretensão da cineasta na sua abordagem sobre a guerra no Iraque não é exatamente a de fazer um comentário político ou social sobre o conflito. Na realidade, sua abordagem tem uma linha mais intimista, no sentido que focaliza primordialmente a figura do Sargento James (Jeremy Renner) e a sua relação com uma realidade caótica. James vê a guerra quase como uma oportunidade de completude existencial, como se sua paz espiritual necessitasse do conflito bélico. Esse tipo de visão não chega a ser uma novidade (quem não lembra do Capitão Willard em “Apocalipse Now”?), mas Bigelow explora com louvor as possibilidades desse argumento.
quarta-feira, junho 23, 2010
Utopia e Barbárie, de Silvio Tendler ***

terça-feira, junho 22, 2010
Soul Kitchen, de Fatih Akin ****

O roteiro de “Soul Kitchen” (2009) é quase pueril nas situações, conflitos e soluções apresentados, com direito, inclusive, a um final feliz romântico. Por trás dessa aparente leveza, todavia, Akin envenena o seu filme com doses generosas de sexo, drogas e rock and roll (e funk, soul, música étnica, reggae e o que mais der na veneta). E por falar em música, a trilha sonora de “Soul Kitchen” é, praticamente, um personagem à parte. O pique alucinado e sensual das canções que predominam durante todo o filme ditam o próprio ritmo narrativo da produção, em uma mágica combinação de sons e imagens, com destaque para as seqüências de festas e danças, registradas com o devido espírito apaixonado e hedonista. E reforçando o destaque sobre a trilha sonora, vale mencionar que se tem aqui a melhor seleção cancioneira cinematográfica apresentada desde “Jackie Brown” (1997).
Os experimentos estéticos de Akin em “Soul Kitchen” são inusitados e de resultados deslumbrantes. Nunca a câmera em seus filmes foi tão dinâmica, com enquadramentos que emulam as sensações físicas e emocionais dos personagens. O fato do protagonista Zino (Adam Bousdoukos) passar boa parte do tempo com um problema na coluna, por exemplo, faz com que se veja as cenas, em alguns momentos, sob uma perspectiva “torta”. O efeito é desconcertante. Akin também incorpora influências diversas, de comédia pastelão até blackexploitation (evidentes em exagerados closes nos rostos dos personagens), condensando essas diversas referências em uma obra de coerência formal impressionante.
Junto com os franceses “Inimigo Público nº 1 – Risco de Morte” e “Entre Os Muros da Escola” (ambos de 2008), “Soul Kitchen” representa uma tendência renovadora no atual cinema europeu em apresentar obras mais estimulantes em termos estéticos e temáticos, ao invés da simples reciclagem dos padrões do cinema de bom gosto.
segunda-feira, junho 21, 2010
As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky **1/2

sexta-feira, junho 18, 2010
Mary & Max, de Adam Elliot ***

quinta-feira, junho 17, 2010
A Estrada, de John Hilcoat ****

No mais, a sombria fotografia em tons cinzas, a sóbria utilização de efeitos especiais e a melancólica trilha sonora composta por Nick Cave e Warren Ellis complementam com perfeição a atmosfera opressiva de “A Estrada”, obra que reflete um cinema vigoroso e sem concessões, mesmo que realizado dentro dos padrões de Hollywood.
quarta-feira, junho 16, 2010
Zona Verde, de Paul Greengrass **1/2

terça-feira, junho 15, 2010
Os Homens Que Encaravam Cabras, de Grant Heslov ***

segunda-feira, junho 14, 2010
Rita Cadillac - A Lady do Povo, de Toni Venturi **

sexta-feira, junho 11, 2010
Uma Noite Fora de Série, de Shawn Levy **1/2

quinta-feira, junho 10, 2010
Atraídos Pelo Crime, de Antoine Fuqua ***

quarta-feira, junho 09, 2010
Chico Xavier, de Daniel Filho *1/2

A impressão final sobre “Chico Xavier” é da mesma ser uma produção destinada a agradar convertidos – Daniel Filho oferece ao seu público justamente aquilo que ele espera saber. Qualquer espaço para uma maior densidade dramática parece suprimido em um produto que beira a propaganda institucional.
segunda-feira, junho 07, 2010
A Dança dos Vampiros, de Roman Polanski ****

sexta-feira, junho 04, 2010
Como Treinar o Seu Dragão, de Dean DeBlois e Chris Sanders ***1/2

quinta-feira, junho 03, 2010
Os Estados Unidos Contra John Lennon, de David Leaf e John Scheinfeld ***

quarta-feira, junho 02, 2010
Tulpan, de Sergei Dvorsevoy ***

segunda-feira, maio 31, 2010
Coração Louco, de Scott Cooper ***1/2

A direção de fotografia e a edição em “Coração Louco” são clássicas, mas esse aparente convencionalismo formal se mostra como uma escolha estética acertada de Cooper. A serenidade na condução da trama apenas esconde os tormentos privados de Blake, mas que sutilmente pairam por todo o filme. E mais do que narrar um óbvio conto de queda e possível redenção, “Coração Louco” evidencia duramente a dificuldade em mudar uma personalidade auto-destrutiva, assim como da impossibilidade da reparação de alguns erros. A seqüência, por exemplo, em que protagonista fala sobre o filho que abandonou é impressionante pela exposição nua e crua da indiferença humana. No final das contas, a melhor forma de reparação para Blake parece mesmo ser traduzir as suas dores em forma de belas e doloridas canções.
Em uma produção como “Coração Louco”, não há como não falar da trilha sonora. Além de clássicos do country, o filme se destaca também pelas extraordinárias músicas compostas especialmente para ele. Para quem conhece o talento de T-Bone Burnett (o mesmo responsável pela direção musical memorável de “E Aí Meu Irmão Cadê Você” e “Could Mountain”), isso não chega a ser uma grande surpresa.
sexta-feira, maio 28, 2010
Revanche, de Götz Spielmann ***

quarta-feira, maio 26, 2010
A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel ***

terça-feira, maio 25, 2010
Triângulo, de Christian Petzold **1/2

segunda-feira, maio 24, 2010
A Mulher Sem Piano, de Javier Rebollo **1/2
Essa produção espanhola de 2009 tem uma trama que parte de uma premissa já bem utilizada no cinema, mas que mesmo assim não deixa de ser interessante: a realidade que se transforma na noite e parece convertida em outra dimensão. O filme mostra a trajetória de uma dona de casa e esteticista frustrada com a sua rotina e que resolve abandonar sua casa numa noite qualquer. Na sua jornada noturna, enfrenta uma série de percalços e encontra alguns tipos esquisitos. A ação discreta e os poucos diálogos, permeados de leve ironia, remetem bastante à estética do cineasta finlandês Mika Kaurismaki. Mesmo com o diretor Javieer Rebollo não atingindo o mesmo nível do encantador estranhamento da obra de Kaurismaki, “A Mulher Sem Piano”, ainda que prejudicada pela aridez da narrativa, possui momentos memoráveis, principalmente pelas seqüências que privilegiam um insólito humor.sexta-feira, maio 21, 2010
Um Dia Perfeito, de Ferzan Ozpetek **

quinta-feira, maio 20, 2010
Vencer, de Marco Bellocchio ****

Para ilustrar sua ambiciosa narrativa, Bellocchio opta por um estilo de filmar bastante estilizado, beirando o barroco. A visão que temos dos fatos é contaminada pelo subjetivismo do olhar de Ida. Mussolini sempre irrompe na tela como uma esmagadora força da natureza e a teia conspiratória que visa expurgar Ida e outras máculas da vida do líder italiano atinge proporções kafkanianas ao se abater sobre a protagonista. O clima de paranóia é ainda mais acentuado por cenários que oscilam entre o sombrio e o asséptico. De se ressaltar também as seqüências em que trechos de documentários se entrelaçam com as próprias cenas dramatizadas, obtendo um efeito plástico perturbador, com destaque para o momento em que dois grupos políticos rivais se digladiam durante uma sessão de um documentário – a imagem das silhuetas dos contendores se mistura com os registros em preto-e-branco do filme que estava sendo visto. A atuação de Giovanna Mezzogiorno também é um capítulo a parte em “Vencer” – a atriz apresenta uma interpretação de várias nuances, não deixando Ida cair em clichês simplórios como de pura e injustiçada vítima. Por mais que ela seja massacrada pela máquina estatal de Mussolini, não deixamos de reconhecer no seu comportamento um elemento de desejo de ascensão social;
É provável que o destino das cinebiografias não mude de seu marasmo com “Vencer”. Mesmo assim, essa expressiva produção de Bellocchio aponta caminhos bastante promissores e instigantes para o gênero.
quarta-feira, maio 19, 2010
Moscou, Bélgica, de Christophe Van Rompaey **1/2

Norte, de Rune Denstad Langlo **1/2

segunda-feira, maio 17, 2010
Sanguepazzo, de Marco Tullio Giordana ***

sexta-feira, maio 14, 2010
O Espaço em Branco, de Francesca Comencini ***

quinta-feira, maio 13, 2010
Páginas Perdidas, de James Ivory **1/2

quarta-feira, maio 12, 2010
A Garota Explosiva, de Bradley Rust Gray *1/2; Wendy & Lucy, de Kelly Reichardt *1/2; O Céu, A Terra e A Chuva, de José Luís Torres Leiva **

terça-feira, maio 11, 2010
Meia-Lua, de Bahman Ghobadi **

La Pivellina, de Tizza Covi e Rainer Frimmel ***
A primeira referência que vem à cabeça ao assistir “La Pivellina”, produção italiana de 2009, pode parecer óbvia demais, mas o fato é que tal filme remete bastante a estética neorealista, tanto no seu aspecto temático quanto no formal. A trama do filme é simples e de forte conteúdo social: por um acaso do destino, um casal de artistas mambembes acaba ficando com o encargo de cuidar de uma menina de dois anos que foi abandonada temporariamente pela mãe. A narrativa é episódica, mostrando pequenos e corriqueiros eventos da rotina dessa família improvisada, e acaba funcionando como um retrato áspero da rotina das camadas menos favorecidas da sociedade italiana. Os diretores Tizza Covi e Rainer Frimmel privilegiam um estilo de filmar de câmera na mão e com imagem granulada, quase como se fosse um documentário. Sua forma econômica de encenar esse pequeno drama, entretanto, está muito longe de ser precária. Os enquadramentos e a edição são eficientes, causando empatia e interesse ao espectador em relação ao desenrolar da história. Outro trunfo de “La Pivellina” é a impressionante atuação da pequena Ásia Crippa no papel da garotinha abandonada – seu naturalismo faz até supor que a menina não esteja interpretando, e sim que realmente esteja acreditando que aquilo que está acontecendo na tela seja verdadeiro.sexta-feira, maio 07, 2010
Em Comparação, de Harun Farocki 1/2 (meia estrela)

quinta-feira, maio 06, 2010
Whisky com Vodka, de Andreas Dresen **1/2

quarta-feira, maio 05, 2010
Sangue de Virgens, de Emílio Vieyra ***

terça-feira, maio 04, 2010
Drácula, de Tod Browning ***1/2

segunda-feira, maio 03, 2010
Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi ***

sexta-feira, abril 30, 2010
Chéri, de Stephen Frears ***

quinta-feira, abril 29, 2010
Limite, de Mário Peixoto ***1/2

quarta-feira, abril 28, 2010
Vírus, de Àlex e David Pastor ***
